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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 219

Capítulo 219 — Linha Vermelha

Augustus Evans

Os últimos dias tinham sido um verdadeiro teste de resistência para todo o nosso círculo. Com a liberação médica da Natalie e a saída definitiva dela do hospital, uma onda palpável de alívio varreu a holding.

E quem mais agradeceu por isso, indiretamente, foi a minha própria sanidade mental: William estava tão obcecado com a recuperação da amiga que mal dormia, telefonando de hora em hora para saber se a Nat precisava de sopa, de remédio ou de um desfile particular de piadas para levantar o ânimo. Vê-lo finalmente desacelerar era uma bênção para os meus ouvidos e para as nossas noites.

Henry também parecia outro homem depois do embarque do Samuel para Aspen. O fantasma que rondava a Sara tinha sido empurrado para longe, mas a trégua do meu amigo durou pouco.

Agora, o motivo do pânico silencioso do Reeves tinha nome, sobrenome e sotaque arrastado do Texas: a chegada iminente da família dele no próximo sábado. Ter pais e quatro avós desembarcando juntos para inspecionar a mulher da vida dele estava deixando o sujeito à beira de um ataque de nervos. Eu me divertia em silêncio com toda a situação.

Já no caso do Adrian, a situação continuava densa. Por mais que o Foley tentasse disfarçar a rigidez sob a postura impecável, eu o conhecia bem demais para não notar o vinco permanente entre as suas sobrancelhas.

Ele mantinha a atenção dividida entre o bem-estar da Victoria e as manobras do Edgar Walton. O cerco federal estava se fechando rápido com as evidências do Sterling, mas saber que havia um rato encurralado na cidade deixava o Adrian em estado de alerta máximo.

Peguei o celular sobre a mesa. A tela iluminou com uma notificação do William. Abri a mensagem e não pude conter um meio sorriso involuntário ao ler:

“Senhor Evans, estou na minha sala há exatos vinte minutos encarando as planilhas da Costa Oeste e pensando nas coisas nada corporativas que pretendo fazer com você quando chegarmos em casa hoje à noite. Esteja preparado, ou terei que abrir um processo administrativo por desacato ao seu namorado e dono da sua cama.”

Balancei a cabeça, sentindo o calor característico subir pelo peito. Aquele homem tinha o dom absurdo de desarmar qualquer resquício de seriedade em mim com meia dúzia de palavras.

Toquei o teclado na intenção de responder à altura e devolver a provocação, quando duas batidas discretas na folha de madeira interromperam o meu raciocínio.

— Entra — murmurei, bloqueando a tela do aparelho e pousando-o de volta a mesa.

A porta rangeu suavemente e Karen passou para o lado de dentro.

Ela vestia um conjunto sob medida em tom grafite, com a saia lápis ajustada na altura certa e uma camisa de seda clara com dois botões deliberadamente abertos na altura do colo. Os cabelos estavam soltos em ondas polidas sobre os ombros, e ela carregava uma pasta de couro fino debaixo do braço.

— Licença, Augustus — a voz dela soou suave, arrastada, com uma modulação que ela claramente treinava para parecer mais íntima do que a nossa relação profissional permitia.

— Karen — respondi em tom neutro, ajeitando a coluna e mantendo as mãos pousadas sobre o tampo. — Alguma pendência nos contratos de frete marítimo que eu solicitei mais cedo?

Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, girou a maçaneta atrás de si, empurrando a porta até que o trinco se fechasse com um clique pesado e sonoro.

O gesto fez um alerta automático disparar no fundo da minha mente.

Karen caminhou a passos lentos e calculados pelo carpete. O som ritmado dos saltos altos ecoou pelo silêncio do cômodo enquanto ela contornava a frente da minha mesa. Não havia pressa em seus movimentos, apenas uma confiança ensaiada que começou a me causar um incômodo imediato.

Ela parou diante da bancada, mas não se sentou em nenhuma das duas poltronas de visitantes disponíveis. Em vez disso, pousou a pasta de couro sobre os meus relatórios e apoiou uma das mãos no tampo de mogno, inclinando o tronco na minha direção. O perfume adocicado e marcante que ela usava invadiu o ar entre nós.

— Os contratos já foram revisados pela equipe jurídica, Augustus. Estão perfeitos. — Ela fez uma pausa calculada, sustentando o meu olhar com uma intensidade desnecessária. — Eu vim aqui para falar de outro assunto. Um assunto que estamos adiando desde que cheguei.

Cruzei os braços sobre o peito, recostando-me na cadeira e mantendo o semblante fechado.

— Se não é sobre a holding ou sobre as diretrizes da controladoria, nós não temos nenhum assunto pendente, Karen. O meu tempo é curto e tenho uma reunião com o conselho em quarenta minutos.

Ela soltou um riso baixo, quase condescendente, balançando a cabeça devagar como se achasse graça da minha frieza.

— Por que você insiste em erguer essa barreira de gelo toda vez que ficamos a sós nesta sala? Nós não somos estranhos, Augustus. Conhecemos o passado um do outro, conhecemos os gostos, os hábitos… Você pode fingir para a diretoria inteira, mas não precisa fingir para mim.

— Não estou fingindo nada — rebati de pronto, a voz cortante e firme. — O que quer que tenha existido entre nós ficou enterrado há anos, no momento exato em que seguimos caminhos diferentes. Você foi contratada por mérito técnico, indicada para compor a equipe de compliance. Espero que mantenha a sua postura dentro dessa função.

Karen deu a volta na quina da mesa. O espaço pessoal que nos separava encolheu de forma alarmante.

— Mérito técnico? — ela murmurou, dando mais um passo até parar ao lado do meu braço de apoio. Ela levou a mão ao próprio pescoço, dedilhando a gola de seda com uma lentidão provocativa antes de cravar os olhos nos meus. — Você realmente acha que uma profissional com o meu currículo aceitaria se mudar de Nova York para São Francisco apenas por uma vaga de analista sênior na área de logística? Você é inteligente demais para ser ingênuo a esse ponto, Gu.

A quebra da formalidade e o uso do apelido antigo soaram como um insulto aos meus ouvidos.

— Não me chame assim — avisei, a voz descendo uma oitava, carregada de uma autoridade gélida.

Karen ignorou a advertência. Em um movimento rápido e audacioso, ela estendeu a mão na direção do meu rosto, os dedos compridos tentando tocar a minha mandíbula.

— Eu nunca esqueci você, Augustus. Nem por um único dia. Os anos passaram, eu tentei me relacionar com outras pessoas, mas ninguém nunca chegou aos seus pés. O seu jeito sério, essa sua postura inabalável de homem que sabe exatamente o que quer… Isso sempre me enlouqueceu.

Recuei a cabeça no mesmo segundo, desviando do toque com repulsa visível, mas ela continuou a falar com um desespero sussurrado.

​Capítulo 219 — Linha Vermelha 1

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