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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 218

Capítulo 218 — Ponto Final

Sara Olsen

Fechei a pasta suspensa que segurava nas mãos com um estalo seco, apoiando-a sobre a bancada antes de encarar o homem à minha frente.

A expressão dele continuava carregada daquela presunção barata de quem achava que qualquer mulher cairia aos seus pés por causa de um par de olhos claros e um sobrenome europeu.

— Não preciso de companhia, Luka — respondi de imediato, a voz saindo fria e polida, sem dar margem para intimidades. — Já estou encerrando o meu expediente e organizando as minhas coisas para ir embora.

Luka não se deu por satisfeito. Em vez de recuar, ele desencostou da divisória e deu dois passos lentos para dentro do espaço da minha estação de trabalho. Ele apoiou uma das mãos espalmadas sobre o tampo de madeira da minha mesa, inclinando o corpo na minha direção de um jeito invasivo que fez o meu estômago embrulhar.

— Não precisa ser tão arisca, Sara — a voz dele desceu mais um tom, aquele sotaque arrastado soando forçado aos meus ouvidos. — Faz semanas que você mal me olha nos olhos. Sempre correndo pelos corredores, sempre esquiva. Eu sei que você sente essa tensão no ar tanto quanto eu.

Puxei o ar devagar, mantendo a coluna ereta na cadeira.

— Luka, a única tensão que existe aqui é a sua falta de profissionalismo. Eu já te disse mais de uma vez que os meus assuntos com você se limitam aos relatórios da controladoria. Nada além disso.

Ele soltou uma risada baixa, quase debochada, balançando a cabeça como se estivesse diante de uma criança teimosa.

— Você não precisa sustentar essa pose na minha frente. Uma mulher bonita, inteligente e competente como você não nasceu para ficar presa a um homem como o Henry Reeves. Um sujeito explosivo, descontrolado, que acha que pode resolver tudo na base da força e de escândalos. Você merece alguém maduro, refinado… alguém que possa te levar para a Europa e te dar o mundo.

Ele esticou a mão direita na direção do meu rosto, os dedos se aproximando com a audácia de quem realmente acreditava que tinha algum poder sobre mim.

— Vamos jantar juntos hoje. Só nós dois. Me dá uma noite e eu te mostro que você merece muito mais do que um garoto mimado bancando o possessivo.

A náusea subiu instantânea, substituída por uma onda de fúria límpida e cortante.

Empurrei a cadeira para trás com força e me levantei no mesmo segundo. O rangido das rodinhas no chão ecoou pelo salão silencioso. Bati a mão aberta com força sobre a mesa, estancando o gesto do alemão no ar.

— Tira essa mão imunda de perto de mim, Luka.

A voz saiu cortante como gelo seco, sem tremer um único milímetro.

O homem arregalou os olhos, paralisando os dedos a menos de um palmo do meu espaço pessoal. A postura confiante dele ruiu em uma fração de segundo, pega de surpresa pela frieza do meu tom.

— Sara, calma… Eu só estava…

— Você não estava nada! — cortei sem pestanejar, dando meio passo à frente e encarando-o de cima a baixo com o mais absoluto desprezo. — Presta muita atenção no que eu vou te dizer porque vai ser a primeira e a última vez. Nunca existiu faísca, tensão ou interesse nenhum da minha parte por você. Qualquer educação que tive foi exclusivamente respeito aos protocolos corporativos desta empresa. Eu não tenho o menor interesse em você, na sua lábia barata ou nas suas promessas vazias.

Luka engoliu em seco, o pescoço e as orelhas começando a queimar em um tom vermelho de vergonha.

— Você está falando assim porque tem medo daquele descontrolado do seu namorado…

— Eu estou falando por mim! — retruquei com firmeza, apontando o dedo na direção do peito dele. — O Henry não precisa dizer uma única palavra para que eu coloque você no seu devido lugar. O homem com quem eu divido a minha vida é mil vezes mais homem, mais honrado e mais leal do que você jamais sonhou em ser. Eu amo o meu namorado com todo o meu coração. Nós estamos construindo uma família juntos. E se você ousar ultrapassar os limites profissionais comigo mais uma vez, ou abrir a boca para falar gracinhas para mim neste escritório, eu mesma vou na holding e me queixo com o Adrian sobre você. Eu tolerei toda essa palhaçada por respeito a empresa, e ao meu emprego. Mas agora, pra mim já deu!

O silêncio caiu pesado como chumbo sobre nós. Luka deu um passo trôpego para trás, os lábios entreabertos em puro constrangimento, sem saber onde enfiar a cara diante da surra verbal que tinha acabado de levar.

— Agora sai da minha frente — ordenei, mantendo o olhar firme.

Foi nesse momento que ergui os olhos para a saída do corredor e meu coração errou uma batida inteira no peito.

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