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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 213

Capítulo 213 — Tudo O Que Me Resta

Sara Olsen

O silêncio dentro do quarto parecia pulsar junto com as batidas aceleradas do meu coração. Dei mais dois passos à frente, diminuindo a distância entre nós, sem conseguir desgrudar os olhos da figura frágil sentada na beirada do colchão.

Samuel piscou devagar. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto magro, abrindo caminho por uma bochecha funda e desprovida de cor. Os lábios ressecados dele tremeram antes de emitirem um som rouco, quase inaudível:

— Sara…

Ouvir o meu nome saindo da boca dele depois de semanas de coma, de aparelhos apitando e de tubos enfiados em sua garganta, desarmou qualquer barreira que eu tentava sustentar. Corri os últimos metros que nos separavam, caí de joelhos no chão frio ao lado da cama e envolvi a cintura esquálida do meu irmão com os dois braços, enterrando o rosto no avental azul dele.

Samuel se curvou sobre mim, soltando um soluço violento que sacudiu todo o seu tórax. As mãos dele pousaram sobre os meus cabelos úmidos, me puxando contra si com um desespero comovente.

— Me perdoa… — a voz dele quebrou em um pranto convulsivo, as lágrimas molhando a minha nuca. — Pelo amor de Deus, Sa, me perdoa… Me perdoa por tudo…

Fiquei ali, sentindo o calor do corpo dele e chorando junto, deixando que a dor acumulada de anos de brigas, noites mal dormidas e pânico constante se dissolvesse naquele abraço.

Ergui o rosto devagar, apoiando os antebraços no colchão para olhar para ele. Levei as mãos trêmulas até as bochechas pálidas do Samuel, limpando as lágrimas que não paravam de cair.

— Olha pra mim, Sam… Olha pra mim. Você está vivo. Você sobreviveu.

Samuel balançou a cabeça em uma negação amarga, fitando as próprias mãos cheias de marcas roxas antes de encontrar os meus olhos.

— Eu não merecia ter sobrevivido, Sara. Eu fui um monstro com você. Eu me lembro de tudo… Eu me lembro de você naquele lugar, daquele maldito perto de você. Eu quase destruí a sua vida. Se aquele cretino tivesse tocado em você, eu nunca ia me perdoar. Eu devia ter morrido naquele lugar!

— Cala essa boca! — cortei com firmeza, segurando o rosto dele entre as minhas palmas e apertando com força para fazê-lo parar. — Nunca mais repete isso na sua vida! Você me ouviu bem, Samuel? Nunca mais diga que devia ter morrido!

Ele fungou, os olhos vermelhos e fundos implorando por um alívio que parecia inalcançável.

— Como é que você ainda consegue olhar na minha cara? Depois de tudo o que eu te fiz passar… Por que você não me deixou morrer lá, Sara? Por que você ainda tá aqui?

Soltei um suspiro pesado, engolindo o meu próprio choro para encontrar a calma que ele tanto precisava naquele momento.

— Porque você é o meu irmão, Sam. Porque quando a mamãe fechou os olhos para sempre naquela cama de hospital e o papai nos abandonou, nós fizemos uma promessa segurando as mãos um do outro. Lembra? Nós prometemos que seríamos um pelo outro até o fim. O vício te transformou em alguém irreconhecível, mas eu sempre soube que, por baixo daquela escuridão toda, o meu irmãozinho ainda existia. Eu nunca desisti de você porque eu te amo.

Samuel fechou os olhos com força, mordendo o lábio até quase sangrar para conter outro soluço.

— Eu te amo tanto, Sa… Você é a pessoa mais importante da minha vida. Eu mal lembro da nossa mãe, mas depois que ela partiu e que o covarde do papai sumiu no mundo, você é a única família que me resta. A única pessoa que sobrou pra mim nesta terra. Saber que eu fui o causador de tanta dor pra você me rasga a alma todos os dias. Eu sinto tanto nojo de mim mesmo…

Apertei os ombros magros dele, sentindo os ossos pontudos sob o tecido fino.

— O passado foi horrível, Samuel. Nós dois sabemos disso. Você me machucou de verdade, e não adianta fingir que essas feridas não existiram. Mas você me pediu perdão… e eu te perdoo, Sam. Do fundo do meu coração, eu te perdoo. Só que você precisa entender que as palavras não bastam mais. Você teve uma segunda chance que quase ninguém tem. Depois daquela surra, e de tudo que passou os médicos foram claros, seu corpo entrou em colapso. Você não aguenta mais uma recaída sequer.

Samuel assentiu devagar, os olhos baixos, a vergonha evidente em cada linha do seu semblante cansado.

— Eu sei disso… Eu sinto o meu peito doer a cada respiração profunda. Parece que meu corpo envelheceu vinte anos. Eu não quero mais essa vida, Sara. Eu tenho pavor só de pensar em voltar pra aquele buraco.

Aproveitei a brecha e respirei fundo. Meu coração deu um salto no peito ao me dar conta de que havia chegado o momento. Segurei a mão dele, puxando-a suavemente em direção ao meu corpo.

Com delicadeza, guiei a mão fria do Samuel até pousá-la espalmada sobre o meu ventre.

Samuel franziu o cenho, confuso com o gesto, fitando a própria mão apoiada na minha barriga e depois erguendo os olhos assustados para mim:

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