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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 212

Capítulo 212 — O Preço da Escolha

Sara Olsen

— E o preço será esse… ele nunca mais chega perto de você e muito menos do nosso filho.

As palavras do Henry não foram ditas aos berros, e talvez tenha sido exatamente isso o que as tornou tão aterrorizantes. A voz dele saiu em uma frequência baixa, grave e inegociável, assentando-se no espaço entre nós dois com o peso de uma laje de concreto.

Fiquei estática no meio do quarto, com o coração disparado contra as costelas. O contraste daquela frieza cirúrgica com o calor dos minutos que tínhamos acabado de viver sob o chuveiro parecia um choque térmico violento demais para o meu corpo assimilar.

— Henry, por favor… — dei meio passo hesitante na direção dele, estendendo a mão espalmada no ar em um apelo desesperado. — Você não pode colocar as coisas nesses termos tão radicais. O Samuel acabou de sair de um coma. O menino passou semanas respirando por aparelhos, quase morreu! Nós nem sabemos como está a cabeça dele depois de tudo o que aconteceu! Se você chegar lá impondo um ultimato dessa magnitude, empurrando ele contra a parede, a primeira reação dele vai ser se fechar, se rebelar e jogar tudo para o alto!

Henry cruzou os braços largos sobre a camisa polo escura. A postura dele não cedeu um único milímetro. Os olhos azuis, antes transbordando aquela ternura que me fazia derreter, agora eram dois blocos de gelo lapidados por uma determinação inquebrável.

— E você queria que eu colocasse em quais termos, Sara? — ele rebateu, a voz afiada como uma lâmina cortando o ar. — Você quer que eu seja brando? Que eu passe a mão na cabeça dele e finja que estamos lidando com um garoto mimado que cometeu um deslize bobo de fim de semana?

— Eu só estou dizendo que ele é o meu irmão, Henry! — as lágrimas começaram a queimar o fundo dos meus olhos, a voz falhando na garganta. — Nós podemos tentar uma abordagem gradual, marcar consultas com um terapeuta antes de trancá-lo em uma clínica fechada… podemos acompanhar o processo aos poucos, dando suporte…

— Abordagem gradual? — Henry soltou uma risada curta, amarga e sem qualquer vestígio de humor, descruzando os braços e dando dois passos pesados até parar a menos de um palmo de mim. Ele se inclinou ligeiramente sobre a minha altura, me forçando a sustentar o seu olhar severo — Você está realmente me pedindo para dar uma segunda chance para a sorte, Sara? Logo você?

Recuei um passo sob a pressão sufocante da presença dele, mas ele continuou, despejando a verdade crua que eu vinha tentando trancar a sete chaves no fundo da minha mente.

— Você acha que eu esqueci as marcas roxas que aquele desgraçado já deixou nos seus braços? — ele apontou com o indicador para mim, a mandíbula travando com tanta força que os músculos da sua face estalaram. — Você acha que eu não sei das noites em que você trancava a porta do seu quarto morrendo de medo das crises dele? Ele te extorquiu até o seu último centavo de salário! Ele te humilhou, roubou as poucas coisas de valor que você tinha e te transformou em refém dentro da própria casa!

Engoli em seco, sentindo uma pontada física no peito. As lembranças daqueles dias sombrios voltaram em cascata, trazendo à tona o cheiro de mofo do apartamento antigo, os gritos, as portas batendo e o terror constante.

— Isso foi antes, Henry… — sussurrei, a voz quebrando.

— E piorou depois! — Henry cortou sem piedade, a voz subindo de intensidade. — O ápice das escolhas do seu irmão não foi bater em você. Foi te colocar na mira de um traficante armado! Aquele verme quase te estuprou! Se eu não tivesse chegado a tempo… se eu tivesse me atrasado dez minutos naquela noite, você sabe muito bem o que teria acontecido com você!

Levei as duas mãos à boca, sufocando um soluço violento. As lágrimas desceram grossas e quentes, lavando as minhas bochechas. A lembrança das mãos ásperas daquele maldito em mim ainda era um fantasma que me fazia acordar suando frio em algumas madrugadas.

Henry deu um suspiro pesado, fechou os olhos por dois segundos como se buscasse recuperar o domínio sobre a própria fúria e deu um passo para trás. Quando abriu os olhos novamente, o fogo da raiva havia sido substituído por uma seriedade implacável.

— Eu não odeio o seu irmão, Sara. E Deus é testemunha de que eu tenho motivos de sobra para querer aquele garoto apodrecendo em uma cela pelo que ele quase causou a você. Mas eu não fiz isso. Eu engoli a minha repulsa, coloquei os melhores médicos para cuidar dele na UTI, mobilizei os advogados para limpar a ficha dele com a polícia e já assinei o contrato da melhor clínica de reabilitação do país. Eu estou disposto a bancar o tratamento dele pelo tempo que for necessário. Seis meses, um ano, o tempo que for preciso para limpar aquele organismo e dar a ele a chance de ser um homem de verdade. Eu estou oferecendo a salvação da vida dele em uma bandeja de prata.

Ele fez uma pausa densa, os olhos fixos na minha barriga por um segundo antes de subirem de volta para o meu rosto.

— Mas eu tenho as minhas ressalvas. E elas são irrevogáveis. Se o Samuel tiver a audácia de cuspir nessa oportunidade, ele não estará apenas recusando a clínica médica. Ele estará escolhendo conscientemente continuar sendo um viciado marginal. E se ele fizer essa escolha, ele estará abrindo mão de você e abrindo mão do sobrinho que está crescendo aqui dentro.

— Henry… — chorei, cobrindo o rosto com as mãos, sentindo o mundo girar sob os meus pés.

A perspectiva de perder o Samuel para sempre, de vê-lo dar as costas e sumir de volta para a sarjeta, abria um buraco negro no meu peito. Eu o vi dar os primeiros passos. Eu segurei a mão dele quando a nossa mãe foi enterrada. Eu o protegi do nosso pai alcoólatra. Aquele garoto quebrado carregava metade de toda a minha história neste mundo.

Senti os braços fortes do Henry me envolverem com delicadeza. Ele me puxou contra o seu peito largo, apoiando o queixo no topo da minha cabeça e acariciando as minhas costas com movimentos lentos e firmes.

Deixei o meu corpo desmoronar contra o dele, molhando a sua camisa polo com as minhas lágrimas enquanto ele me sustentava com toda a segurança que eu não tinha dentro de mim.

— Eu sei que dói, meu amor… — ele murmurou com a voz rouca, beijando a lateral da minha cabeça. — Eu sei exatamente o quanto essa ferida sangra dentro de você. Mas entenda de uma vez por todas: a minha prioridade absoluta nesta terra é a sua segurança e a do nosso filho. Eu não vou permitir que a instabilidade de um dependente químico traga perigo para dentro do nosso lar. Eu não vou criar o nosso bebê sob a sombra do medo ou de ameaças. Você me entende?

Levantei o rosto devagar, encarando os olhos azuis dele através do véu embaçado das lágrimas.

— Eu entendo, Henry… Eu sei que você está fazendo isso para nos proteger. Eu juro que sei. Mas dói demais… Mesmo ele estando tão errado, mesmo ele tendo feito tudo o que fez… ele ainda é meu irmão. Ele foi a única família que me sobrou durante anos. Pensar em virar as costas para ele me rasga por dentro.

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