Todos os presentes ficaram atônitos.
Que coragem!
Geralmente, por uma questão de aparência ou reputação, ninguém ousaria expressar seus pensamentos mais íntimos de forma tão direta.
Afinal, deve-se respeito aos mortos, ainda mais sendo uma matriarca.
Falar algo assim era pedir para ser criticado.
Jade Paz arregalou seus olhos inocentes e questionou:
— Mas você não é filha do Tio Bento? Se você é filha dele, não deveria velar a Avó Matriarca?
Jade Paz achava injusto. Eram ambas garotas, por que ela tinha que ficar acordada?
Ainda mais porque quem estava deitada ali não era sua avó direta.
Se a neta direta da velha senhora não ia velar, por que ela deveria? Ficar acordada fazia mal para a pele.
Se ela tinha que velar, Maria Gomes também tinha.
Esse tipo de pessoa era simples de entender: não suportava ver o bem-estar alheio.
Se estivesse presa na lama, faria de tudo para puxar quem estivesse por perto para a lama junto, só para se sentir melhor.
Os olhos negros de Maria Gomes fitaram Jade Paz com calma, desmascarando imediatamente sua pequena artimanha.
— Neste mundo não existe o "deveria". Eu não vou fazer a vigília. Se você não quer fazer, apenas diga. Ninguém vai te obrigar.
Com suas intenções expostas, Jade Paz ficou visivelmente constrangida, mas teimou:
— Quem disse que eu não quero velar? Eu só acho injusto com a Avó Matriarca, que os filhos do próprio filho dela não zelem por ela.
Maria Gomes sorriu e perguntou:
— Desculpe, quantos anos você tem, querida?
— Dezenove.
— Dezenove anos. Então já deveria entender a língua humana, não é? — Maria Gomes olhou para ela com uma confusão fingida.
A expressão de Jade Paz fechou-se.
— O que você quer dizer com isso, irmã?

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