O dia seguinte amanheceu.
Bento Paz preparou o café da manhã e Maria Gomes desceu as escadas.
Ela não havia dormido bem, com olheiras profundas marcando seu rosto.
Bento Paz notou e sentiu um aperto no coração.
No entanto, ele não podia demonstrar preocupação para não aumentar a pressão psicológica sobre Maria Gomes, o que a faria se sentir culpada.
Ele fingiu não ver e sorriu.
— Que bom, o café está na mesa.
Pai e filha sentaram-se em lados opostos da mesa para comer.
Maria Gomes perguntou casualmente sobre a vovó Paz.
Bento Paz resumiu a situação da noite anterior em poucas palavras.
Ao terminar, ele se lembrou de algo e perguntou.
— Por que você decidiu, de repente, verificar o monitoramento do quarto da velha senhora?
— Ontem fui ao hospital visitar a vovó Cardoso e, sem querer, vi Márcia Paz com a cuidadora.
Não foi preciso Maria Gomes dizer mais nada; Bento Paz já havia percebido algo vagamente e sua expressão tornou-se grave.
Os dois terminaram o café da manhã e foram juntos para a mansão da família Paz.
Após terminar a sessão de acupuntura no vovô Paz, Maria Gomes foi convidada para a sala de chá.
Ronaldo Paz e Bento Paz a esperavam.
Ronaldo Paz serviu uma xícara de chá para Maria Gomes e perguntou.
— Maria, você disse que viu Márcia Paz com a cuidadora ontem?
Maria Gomes pousou a xícara e respondeu.
— Eu não a vi apenas com a cuidadora.
Ronaldo Paz e Bento Paz olharam para ela simultaneamente, aguardando a continuação.
— Eu também a vi em uma situação suspeita com um homem. — Enquanto falava, Maria Gomes abriu a galeria do celular e mostrou uma foto.
A foto era uma captura de tela do sistema de segurança da garagem subterrânea do hospital, que ela havia invadido.
Ela pretendia investigar o histórico daquele homem.
Mas, como Ronaldo Paz perguntou, ela decidiu contar tudo de uma vez.
Ela entregou o celular a Ronaldo Paz.
— O tio conhece ele?
— Não precisa agradecer, tio.
Ronaldo Paz ordenou ao mordomo que chamasse Márcia Paz.
O mordomo voltou rapidamente para reportar.
— Senhor, a senhorita Márcia não está em casa.
— Não está?
Ronaldo Paz mandou o mordomo ligar para Márcia Paz, perguntar onde ela estava e ordenar que voltasse imediatamente.
O mordomo fez várias ligações, mas nenhuma foi atendida.
— Senhor, o telefone da senhorita Márcia não chama. Tentei dois números diferentes e não consegui contato.
Nesse momento, a delegacia ligou.
Ronaldo Paz atendeu e, considerando que Bento Paz estava presente, colocou no viva-voz para evitar ter que repetir depois.
A polícia já havia terminado o interrogatório.
Diante de provas irrefutáveis e sob o interrogatório repetido dos policiais, a cuidadora não teve escolha a não ser confessar.
Ela não apenas confessou, mas revelou uma informação chocante.

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