Hospital.
Márcia Paz caminhou até o quarto da vovó Paz, ostentando a marca vermelha de uma bofetada no rosto.
— Vovó. — Márcia Paz aproximou-se.
Ela arregaçou as mangas.
Pegou a toalha das mãos da cuidadora.
Começou a limpar o corpo da vovó Paz pessoalmente.
— Pode sair, eu cuido da vovó Paz agora.
A cuidadora, feliz com a folga, deixou o quarto.
Márcia Paz continuou a limpar a vovó Paz e falou:
— Vovó, a irmã Maria teve alta.
— Ela foi hoje lá em casa fazer a sessão de acupuntura no vovô.
— Acredito que ele vai melhorar em breve, pode ficar tranquila.
A vovó Paz ficou ansiosa ao ouvir aquilo.
Se o patriarca ficasse bom, o que seria dela?
Ela grunhiu, agitada, olhando para Márcia Paz.
Márcia Paz disse com voz suave:
— Vovó, eu entendo o que a senhora quer dizer.
— Mas... — Márcia Paz fez uma pausa, fingindo dificuldade.
— O tio e o meu pai devem ter seus próprios motivos.
— Ninguém mencionou trazer um médico para a senhora.
A vovó Paz sentiu o peito arder de raiva, respirando com dificuldade como um fole velho.
Márcia Paz acariciou o peito da idosa para acalmá-la.
— Vovó, não se preocupe.
— Eu implorei à irmã Maria, em particular, para vir vê-la quando tivesse tempo.
A vovó Paz olhou para ela com urgência.
Queria saber o resultado.
Os olhos de Márcia Paz ficaram vermelhos de repente.
— Desculpe, vovó, eu sou inútil.
— A irmã Maria não quis vir.
— E ela ainda me deu um tapa na cara.
A vovó Paz arregalou os olhos, fixando o olhar na marca vermelha no rosto de Márcia Paz.
Seus olhos ficaram injetados de sangue.
O ódio cresceu em seu coração.
Ela odiava seus três filhos.
Ela estava internada e ninguém vinha visitá-la.
Jogaram-na nas mãos de uma cuidadora.
Mas a vovó Paz estava sendo injusta.
Ronaldo Paz trabalhava no governo, era ministro, e os assuntos do Estado tinham prioridade.
Wellington Paz administrava as indústrias da família Paz, viajando constantemente, girando como um peão.
Não era falta de vontade de vê-la.
Quanto a Bento Paz, ela mesma havia partido o coração dele.
— Aaah... uuuuh! — Ele não ousaria! A vovó Paz arregalou os olhos.
— Vovó, me salve, por favor.
— Eu consultei um advogado.
— O advogado disse que, se a senhora não concordar, papai não pode me remover da família.
— Eu continuarei sendo sua neta.
— Vovó, eu não quero me casar.
— Posso ficar ao seu lado para sempre.
— Cuidarei da sua vida, lerei o jornal para a senhora, farei massagens e lhe farei companhia.
— Vovó, a senhora me salva?
— Deixe-me ficar ao seu lado, está bem?
— Vovó, se a senhora concordar, apenas acene com a cabeça.
A vovó Paz também queria alguém de confiança ao seu lado.
Afinal, a cuidadora era paga.
Cuidar dela era apenas um trabalho, sem dedicação real.
No começo, a cuidadora foi diligente.
Depois, começou a ficar preguiçosa e astuta.
Sempre que alguém visitava a vovó Paz, a cuidadora fingia ser atenciosa.
A vovó Paz não podia falar.
Sofria em silêncio, engolindo a amargura.
Agora, ouvindo o choro de Márcia Paz, ela assentiu com a cabeça.

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