Márcio Cardoso viu o quanto Maria Gomes se culpava.
Ele suspirou.
Sabia que o ocorrido não era culpa de Maria Gomes.
Maria Gomes foi ao país M representando o Brasil.
Ivan Cardoso, como militar, tinha o dever de resgatá-los e protegê-los.
— Srta. Gomes, não leve a sério o que a Mariana Cardoso disse. A morte do Ivan Cardoso não tem nada a ver com você. Foi ele quem pediu para ir ao país M. Não precisa se preocupar.
— A culpa é minha! — Insistiu Maria Gomes. — A Mariana Cardoso está certa, foi erro meu. Sinto muito, tio Márcio.
— Sinto muito.
Maria Gomes curvou-se ainda mais.
Márcio Cardoso suspirou levemente outra vez.
— Srta. Gomes, você realmente não precisa se culpar. Se alguém deve ser culpado, sou eu. Eu não deveria tê-lo enviado para o exército. No momento em que ele vestiu a farda, precisava estar pronto para o sacrifício. Ivan Cardoso era um soldado. Mesmo sacrificando a vida, isso é a glória dele! Eu tenho orgulho dele.
Maria Gomes olhou para o idoso à sua frente com os olhos vermelhos.
A última vez que se viram foi no aniversário da vovó Cardoso.
Naquela época, Márcio Cardoso estava cheio de energia.
Seu rosto era corado, não perdia em nada para os jovens.
Mas agora, Márcio Cardoso carregava uma visível aura de velhice.
Ele parecia ter envelhecido muitos anos.
— Vamos, vá se despedir do Ivan Cardoso. — Márcio Cardoso virou-se e caminhou em direção ao velório. — Ele ficaria feliz em ver que você está bem.
Os olhos de Maria Gomes ficaram ainda mais vermelhos.
As lágrimas giravam descontroladas em suas órbitas.
Márcio Cardoso viu de soslaio e disse:
— Não chore. Tenho medo que ele não parta em paz.
Ela assentiu.
Apertou os lábios com força.
Ergueu levemente a cabeça e forçou as lágrimas a voltarem.
Ela entrou no salão do velório.
Esforçou-se para erguer os cantos dos lábios.
Seus olhos avermelhados também tentaram sorrir.
— Ivan Cardoso. — Ela chamou o nome dele em voz baixa. — Eu obedeci você, eu voltei.
Olhando para a foto de Ivan Cardoso, Maria Gomes se esforçava para sorrir.
Quanto mais ela sorria, mais chovia dentro de seu coração.
— Vovó!
— Rápido! Tragam o remédio de emergência!
...
No velório.
Um empregado da família Cardoso entrou apressado.
Caminhou rapidamente até Márcio Cardoso.
— Senhor, a senhora desmaiou de repente. Vá vê-la rápido.
A voz do empregado era baixa, mas Maria Gomes ouviu.
Márcio Cardoso deu instruções a outros empregados e saiu apressado, perguntando:
— Já contataram o Dr. Farias?
O empregado respondeu:
— O Dr. Farias está com gripe e ainda não melhorou. Já contatamos o médico comunitário e chamamos o SAMU, mas vai demorar um pouco para chegarem.
Ao ouvir isso, Maria Gomes correu atrás deles.
— Tio Márcio, minhas habilidades médicas são razoáveis. Posso ir ver a vovó?
Márcio Cardoso ouviu as palavras de Maria Gomes e olhou para trás.

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