Depois de se recuperarem por alguns minutos, Nicolau Cruz riu baixinho e rouco.
— Que revigorante.
Maria Gomes o olhou friamente.
— Você é doente.
Nenhum dos dois falou mais nada.
Após um longo silêncio, Nicolau Cruz disse de repente, com calma:
— Maria Gomes, fique comigo.
Maria Gomes respondeu com uma recusa seca:
— Não.
— Por que? — Perguntou Nicolau Cruz, sem entender.
Maria Gomes olhou para a incompreensão genuína nos olhos dele e riu alto.
— Por que? Você pergunta por que? Você matou meu amor, meus amigos, meus companheiros de batalha! O que nós somos? Inimigos? Você conseguiria se entregar a um inimigo? Seu cérebro é realmente muito doente.
Nicolau Cruz retrucou:
— Se eles puderam ser mortos por mim, é porque eram fracos. Os fracos não merecem você. Só eu posso ficar ao seu lado! Embora este mundo tenha leis para manter a ordem, no final das contas, o forte governa. Nos lugares que as pessoas comuns não veem, os fortes que se escondem nos bastidores são os criadores do jogo de sobrevivência deste mundo.
Maria Gomes sabia que o discurso e o raciocínio de um fora da lei não podiam ser compreendidos pelo pensamento comum.
Mas ao ouvir aquela declaração extremamente arrogante, ela ainda achou absurdo e sentiu raiva.
Na verdade, o que Nicolau Cruz dizia não estava totalmente errado.
A sociedade humana é enorme e, nas sombras que nós, pessoas comuns, não vemos, de fato existem pessoas assim.
Mas a escuridão nunca vencerá a luz.
Este mundo pertence a nós, pessoas comuns.
A sociedade pacífica de hoje também é feita por cada pessoa comum.
Como Caio Soares, Ivan Cardoso, milhares de guerreiros desconhecidos e as massas populares comuns.
Foi o resultado regado com a vida e o sangue de todos eles em conjunto.
Eles não permitiriam que pessoas como Nicolau Cruz destruíssem isso!
Maria Gomes olhou severamente para Nicolau Cruz.
— Nicolau Cruz, pessoas como você deveriam desaparecer.
— Lamento decepcioná-la, mas estou muito vivo.
— Um dia, eu vou te matar.
— Groo... — O estômago de Maria Gomes roncou de repente, antes que ela terminasse a frase.
O clima foi interrompido.
— Eu vou comer.
— Implore. — Nicolau Cruz cruzou os braços, encostado ao lado.
Maria Gomes não disse nada, virou-se com o rosto frio e começou a voltar.
— Então eu nunca mais vou comer nada.
Ao passar por Nicolau Cruz, ele estendeu a mão e segurou o braço dela, rindo impotente.
— Que temperamento difícil.
— Me solta!
— Não queria comer? Vamos. — Nicolau Cruz fez um gesto de cavalheiro. — Por favor.
Só então Maria Gomes se virou e saiu.
Atrás dela, ouviu-se o murmúrio de Nicolau Cruz:
— Trouxe uma rainha para casa, pelo visto.
Maria Gomes não lhe deu atenção.
Nicolau Cruz já a tinha levado ao restaurante antes, ela lembrava o caminho.
O pequeno mosquito preto do quarto seguiu silenciosamente para o restaurante.
Enquanto isso, na cozinha, uma empregada tirava discretamente um pacote de pó branco...

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