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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 677

No vídeo de vigilância.

Nicolau Cruz estendeu a mão e cutucou a bochecha de Maria Gomes.

— Maria Gomes, pare de fingir, eu sei que você acordou.

Desta vez, Maria Gomes estava realmente desmaiada.

Afinal, por mais forte que fosse seu corpo, ela não suportaria torturas e choques elétricos consecutivos.

Vendo que Maria Gomes não reagia, Nicolau Cruz ergueu uma sobrancelha.

— Maria Gomes, se continuar fingindo que dorme, eu vou beijar você!

Ao ouvir isso, a mão de Patrício Freitas apertou com força o braço da cadeira de rodas.

Uma respiração baixa e furiosa ecoou na sala.

— Nicolau! Você não ouse!

No vídeo, Nicolau Cruz baixou a cabeça lentamente, aproximando-se de Maria Gomes, cada vez mais perto.

Com esse movimento, a respiração de Patrício Freitas tornou-se mais pesada, e seus olhos vermelhos fixaram-se no monitor.

Ele parecia uma fera enfurecida, pronta para atacar e estraçalhar a qualquer momento.

Enquanto abaixava a cabeça, Nicolau Cruz observava discretamente Maria Gomes pelo canto do olho.

Ele estava preocupado que ela fizesse um ataque surpresa.

— Ainda não acordou? Eu vou beijar, hein?

Mas, naquele momento, Maria Gomes começou a chorar sem aviso prévio.

Ela soluçava baixinho, com uma tristeza profunda.

Nicolau Cruz foi pego de surpresa e ficou atônito por um momento.

Vendo Maria Gomes chorar cada vez mais tristemente, com o rosto banhado em lágrimas, ele estalou a língua.

— Maria Gomes!

Ele puxou um lenço de papel e limpou as lágrimas do rosto de Maria Gomes com movimentos brutos.

— Está chorando por quê? Eu ainda nem beijei você.

— Eu disse para parar de fingir. — Nicolau Cruz murmurou para si mesmo enquanto enxugava as lágrimas dela rudemente.

Antigamente, quando ele via mulheres chorando, sentia apenas repulsa, achava que eram inúteis.

Mas por que, quando Maria Gomes chorava, o maldito coração dele acelerava?

— Maria Gomes, pare de chorar, ainda está fingindo? Se continuar, eu vou beijar você de novo! Ouviu bem?

Ele pensava que Maria Gomes estava acordada.

Mas, na verdade, Maria Gomes não tinha acordado.

Ela continuava com os olhos fechados, franzindo a testa em dor.

Ela estava apenas sonhando.

Ela sonhou com a morte de Ivan Cardoso, sonhou com Caio Soares.

Logo, bateram na porta.

— Chefe? — A voz preocupada de um subordinado soou do lado de fora.

— Estou bem. — Nicolau Cruz respondeu com um sorriso no canto dos lábios, de bom humor.

Maria Gomes sonhou com ele.

Ele não se importava se Maria Gomes o odiava.

Porque, em seu coração, o ódio também era uma forma de amor.

Uma forma extrema de amor.

Os sentimentos de Nicolau Cruz eram tão distorcidos que causavam repulsa.

Patrício Freitas olhou para a expressão dolorosa de Maria Gomes no monitor, e seus olhos vermelhos ficaram úmidos de dor e raiva.

Nicolau Cruz tirou os sapatos, subiu na cama e deitou-se ao lado de Maria Gomes.

Ele estendeu a mão e abraçou Maria Gomes.

— Quer me matar? Então trate de melhorar logo.

Nicolau Cruz também estava ferido, então ele adormeceu abraçado a Maria Gomes.

Patrício Freitas ficou sentado em frente ao vídeo de vigilância a noite toda.

Parecia ser a primeira vez que ele observava tão seriamente Maria Gomes dormindo.

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