Assim que o Capitão Domingos desligou o telefone, Antônio Freitas perguntou ansioso:
— Tio Rafael, há notícias da minha mãe?
O Capitão Domingos assentiu.
Os olhos de Antônio Freitas brilharam e ele perguntou com urgência:
— Então, Tio Rafael, o que você planeja fazer? Ainda vai colaborar com a polícia do País M?
Ao dizer isso, Antônio franziu a testa, preocupado, com uma postura de adulto em um corpo de criança.
O Capitão Domingos deu um tapinha em seu ombro.
— Fique tranquilo. Se até uma criança como você sabe que não se pode confiar na polícia daqui, acha que o Tio Rafael não sabe?
O olhar do Capitão Domingos tornou-se afiado.
— Não podemos nos dar ao luxo de usar a polícia do País M, ou sairemos de mãos vazias novamente. Desta vez, confiaremos em nós mesmos.
Ele virou-se para o assistente ao lado e ordenou:
— Chame o Seu Santos.
Em seguida, olhou para Antônio Freitas.
— Não se preocupe, o Tio Rafael tem um plano. Aquele Nicolau Cruz é um assassino infame internacionalmente. Se livrarmos o mundo desse câncer, as autoridades do País M não vão se importar.
E se se importassem, ele não hesitaria em jogar a sujeira no ventilador.
O governo do País M conspirando com uma organização de assassinos?
Haveria diplomatas eloquentes o suficiente para travar essa guerra verbal.
Ele só precisava agir.
Resgatar as pessoas era o que importava.
Essa operação já custara sacrifícios demais.
Até Ivan Cardoso e Caio Soares...
Ao pensar nisso, a expressão do Capitão Domingos endureceu visivelmente.
— Desta vez, custe o que custar, vamos resgatar a Maria. E aquele Nicolau Cruz... ele vai sentir o peso do punho dos militares brasileiros. Vamos mostrar a gravidade de provocar o Brasil.
Patrício Freitas, sentado em sua cadeira de rodas, interveio:
— Capitão Domingos, a operação precisa de patrocínio? Posso doar fundos ilimitados em meu nome pessoal. Armas, munição, transporte, indenizações... tudo o que for necessário.
— Isso seria perfeito. — O Capitão Domingos apertou a mão de Patrício Freitas. — Nossos homens vieram para o País M sem armas. Antes da ação, precisamos ir ao mercado negro fazer compras.
Um homem chamado Seu Santos entrou na sala.
Nicolau Cruz trancou Maria Gomes no quarto, acorrentando suas mãos e pés com correntes grossas.
Depois, dirigiu-se ao escritório, onde Danilo Castro o aguardava.
Danilo Castro baixou a cabeça respeitosamente.
— Chefe.
Nicolau Cruz assentiu, sentou-se atrás da mesa, acendeu um cigarro e jogou um documento para Danilo.
Era o itinerário do presidente Green.
Após ler, Danilo levantou a cabeça e perguntou:
— Eu vou? A Rebeca não vai?
— Ela morreu. — O tom de Nicolau Cruz era indiferente, como se falasse de um animal qualquer.
— O quê? — Danilo Castro ficou chocado e furioso, quase amassando o documento em suas mãos.
— Como ela morreu? Quem a matou? — Perguntou Danilo, rangendo os dentes, com os olhos vermelhos.
Ele e Rebeca Lacerda foram adotados do orfanato por Nicolau Cruz. Aprenderam a matar juntos, treinaram juntos, viveram e quase morreram juntos.
A relação entre eles transcendia a de irmãos.

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