Ela encontrou muitas ervas medicinais.
E até descobriu um ginseng selvagem.
— O ginseng serve perfeitamente para cozinhar com o faisão, adicionar umas castanhas e fortalecer seu corpo. — Caio Soares cavava enquanto planejava o cardápio da noite.
Caio Soares levou pelo menos meia hora para desenterrar o ginseng completamente.
Maria Gomes avaliou o tamanho e estimou que o ginseng devia ter uns cem anos.
— Muito potente!
Naquela noite, certo jovem vigoroso acabou sangrando pelo nariz por ter tomado a sopa potente demais.
Mas isso é história para depois.
Aproveitando o tempo bom, eles avançaram mais um trecho.
Encontraram uma amoreira silvestre; as amoras estavam num tom roxo escuro, muito apetitosas.
Uma mordida e o doce explodia na boca.
Caio Soares sempre seguia o lema: se eu vi é meu, não deixo passar nada, levo tudo.
Ele colheu todas as amoras.
Maria Gomes embrulhou algumas em folhas de amoreira e foi comendo pelo caminho.
Como Caio Soares estava com as mãos ocupadas, Maria Gomes comia uma e dava outra na boca dele.
Quando estavam prontos para voltar.
Veio um vento e Caio Soares ouviu o som de folhas de bambu.
Cada tipo de folha na floresta emite um som diferente ao vento.
Isso, claro, exige vasta experiência ao ar livre.
De fato, andaram mais meia hora e viram um bambuzal.
Caio Soares fabricou dez recipientes de bambu.
Encheram dois bambus com água de bambu para beber no caminho de volta, já que a água que trouxeram havia acabado.
Depois, Caio Soares cavou muitos brotos de bambu; o que não comessem, poderiam secar.
Enfim, não era fácil fazer aquela viagem.
Eles tinham que aprender com o esquilo que se prepara para o inverno: tudo o que fosse bom, levavam para casa.
Os dois voltaram carregados.
Quando chegaram em casa, o céu já estava completamente escuro.
Caio Soares largou as coisas, acendeu a fogueira e quebrou os galhos que secavam na entrada, levando-os para dentro.
Caio Soares murmurou com voz rouca:
— Eu queria comer essa, pode ser?
— Se eu disser que não, você se afasta?
— Não.
Caio Soares beijou Maria Gomes com intensidade.
A amora foi esmagada, e o sabor agridoce ia e vinha na ponta das línguas, num entrelaçar confuso e cheio de desejo.
A respiração descompassada e urgente ecoava na caverna.
A respiração tornava-se cada vez mais ofegante, a temperatura subia, os corações batiam violentamente. Antes de perderem o controle total, Caio Soares soltou Maria Gomes.
Ele respirava de forma contida e reprimida; em seus olhos escuros parecia haver chamas dançando.
O peito de Maria Gomes subia e descia bruscamente, seu rosto estava corado e seus lábios delicados, vermelhos e brilhantes, ainda mais tentadores.
Caio Soares baixou os olhos, ajeitou discretamente a calça apertada e disse com voz rouca:
— Vou limpar o faisão.
Maria Gomes percebeu a reação dele, mas fingiu não notar e assentiu:
— Tá bom.

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