— Com licença, a senhora é Maria Gomes, Sra. Gomes? — Um oficial militar aproximou-se de Maria Gomes e prestou continência.
Maria Gomes assentiu.
— Sou eu.
— Olá, Sra. Gomes. A situação do meu superior é crítica. O Sr. Fabrício Domingos da Cidade I a recomendou especialmente, dizendo que sua habilidade médica é notável. Espero que possa vir comigo imediatamente.
Ao mencionarem seu padrinho Fabrício Domingos, Maria Gomes imaginou quem estaria doente.
Ouvira dizer que a família Domingos tinha um apoio de alto escalão na Cidade Capital.
Provavelmente era essa pessoa.
Mas isso tornava a situação complicada.
De um lado, o pai de seu pai; do outro, um parente de seu padrinho.
Como Maria Gomes deveria responder?
Maria Gomes pensou por um momento e perguntou:
— Qual é a situação atual do seu superior?
O oficial respondeu ansiosamente:
— O líder já entrou em coma, a situação é gravíssima. Por favor, Sra. Gomes, entre no carro e venha conosco para o hospital agora mesmo.
De qualquer forma, o vovô Paz já tinha esperado tantos dias, mais um dia não faria muita diferença.
Maria Gomes olhou para a vovó Paz.
A vovó Paz, percebendo o olhar de Maria Gomes, entendeu imediatamente e disse com severidade:
— Maria Gomes, já que você chama Bento Paz de pai, aquele que está deitado em casa é seu avô! Pense bem!
O oficial disse:
— Senhora, a situação do nosso líder é realmente muito crítica, peço sua compreensão.
— Camarada, embora eu entenda sua ansiedade, tudo tem uma ordem de chegada. Meu velho também está esperando, e ele é o avô biológico dela, então peço que também entenda minha ansiedade.
Por causa da farda do homem, a vovó Paz falou com certa polidez, dando o devido respeito.
O homem fardado desculpou-se:
— Sinto muito, senhora, mas nosso líder não pode esperar. A Dra. Gomes deve vir comigo imediatamente.
O tom do homem era firme e sua atitude, inflexível; ele parecia prestes a colocar Maria Gomes no carro à força.
A vovó Paz não era de se intimidar; com o status da família Paz na Cidade Capital, ela queria ver quem ousaria roubar a médica de sua família.
A vovó Paz elevou a voz:
— Silvia, que sorte a sua, hein? A Maria está na Cidade Capital há tantos dias, você não veio antes, teve que esperar até hoje. Agora que a Maria foi, sabe-se lá quando vão liberá-la. Reze para que todos os santos protejam seu velho para que ele aguente mais uns dias.
As palavras da vovó Pinheiro foram como agulhas entrando nos ouvidos da vovó Paz, extremamente irritantes.
A vovó Paz sentia raiva, mas não tinha onde descarregar.
Afinal, tratava-se da terceira autoridade do país.
Sentindo uma dor no peito e com o rosto feio, ela deu uma resposta atravessada à vovó Pinheiro e voltou para casa.
Os filhos da família Paz viram a vovó Paz voltar sozinha.
Todos ficaram surpresos.
— Mãe, cadê a Maria?
— Ela foi atender outro paciente.
— Quem? — Wellington Paz franziu a testa, descontente, pensando o mesmo que a vovó Paz.
Quem ousaria roubar a médica da família Paz?
— Alguém acima do seu irmão.
Com essa explicação da vovó Paz, os irmãos entenderam a gravidade da situação.

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