Observando a sala de isolamento à sua frente.
Antônio Freitas, com uma expressão tensa, perguntou.
— Mamãe, o que aconteceu com você?
— Mamãe? — Nicolau Cruz, que estava encostado na parede de vidro, olhou para o menino e perguntou a Maria Gomes. — Ele é o seu filho?
Em seguida, Nicolau Cruz ergueu levemente as pálpebras, e seus olhos vermelhos se fixaram em Patrício Freitas, que estava atrás de Antônio Freitas.
Seu olhar alternou entre os dois por alguns instantes, notando uma certa semelhança em suas feições.
— Você é o marido dela? O homem mais rico da Cidade R, quem diria.
Nicolau Cruz claramente não acompanhava as notícias de fofocas do Brasil.
Ele não sabia sobre o escândalo de Patrício Freitas e sua amante, nem que ele e Maria Gomes já estavam divorciados.
Em sua juventude, Nicolau Cruz também cresceu na Cidade R, então conhecia Patrício Freitas e sabia que ele era um homem notável.
Mais tarde, quando foi para o exterior, via Patrício Freitas com frequência nas notícias de economia e sabia que ele era o homem mais rico da Cidade R.
Por um momento, sentiu uma onda de insegurança.
Patrício Freitas, naturalmente, percebeu a hostilidade, mas ficou muito satisfeito com as palavras 'marido' e assentiu com prazer.
— Sim. E você é?
— Eu sou o amante dela. Ela se infectou com o vírus para testar o remédio em si mesma, para desenvolver um antídoto para mim.
Longe de casa, a identidade é o que você diz que é, e Nicolau Cruz parecia entender bem esse princípio.
Ele até já havia inventado uma história.
— Fui eu que mordi o pescoço dela.
— O quê? — Patrício Freitas olhou para o pescoço de Maria Gomes, coberto por uma gaze, e suas mãos se fecharam em punhos sem que ele percebesse.
Antônio Freitas não se importava com amantes; ele só ouviu a palavra 'vírus'.
Ele perguntou ansiosamente.
— Mamãe, com que vírus você foi infectada? É aquele vírus zumbi que vocês estavam pesquisando?
Antônio Freitas era muito inteligente, e Maria Gomes não conseguia esconder nada dele.
Em seguida, Antônio Freitas anunciou que não voltaria para casa; ele ficaria no laboratório para ajudar a desenvolver o antídoto.
Embora pequeno, Antônio Freitas já exibia a calma e a compostura de um adulto.
— Tio Bernardo, você pode me dar uma cópia dos seus dados de pesquisa?
Mariana Cardoso se aproximou.
— Garoto, sua mãe vai ficar bem. Volte para casa e estude. Deixe os adultos cuidarem das coisas de adultos.
Mariana Cardoso representava a Cidade Capital, liderando uma equipe no laboratório da Farmacêutica Bernardo, atuando como supervisora e testemunha.
— Um momento.
Patrício Freitas se aproximou da sala de vidro, seu olhar preocupado, mas excepcionalmente firme.
— Maria, não tenha medo. Antônio e eu faremos o nosso melhor.
Maria Gomes respondeu com um simples 'obrigada', sua expressão impassível.
Embora não quisesse usar o dinheiro de Patrício Freitas, o fato de ela não querer não significava que o país não quisesse.
Um traço de tristeza passou pelos olhos de Patrício Freitas.
Ele olhou para Nicolau Cruz, no cubículo ao lado.
— Ele é mesmo seu amante?
Nicolau Cruz ergueu uma sobrancelha.
— Naturalmente.
Maria Gomes negou.
— Paciente, como eu.
Maria Gomes não negou por causa de Patrício Freitas.
Ela apenas seguia seu princípio de não manter ambiguidades com nenhum homem.

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