Ao ver Maria Gomes sair, Patrício Freitas perguntou: — Terminou?
Maria Gomes o ignorou como se ele fosse invisível e foi embora.
A enfermeira entrou apressadamente no quarto e encontrou Isaque Lisboa quase sem vida.
O ferimento em seu abdômen havia se aberto, e o sangue manchava seu pijama de hospital e os lençóis da cama.
Com o rosto pálido, a enfermeira correu para chamar um médico.
Patrício Freitas entrou no quarto. — Isaque Lisboa.
Isaque Lisboa, ao ver Patrício Freitas, pensou que ele também viera para acertar as contas.
Sentiu uma dor ainda mais intensa no ferimento e seu corpo começou a tremer levemente. — Se-Senhor Freitas.
Patrício Freitas, com uma expressão impassível, olhou para ele de cima. — Um sapo querendo ser príncipe. Diga, quem te mandou fazer isso?
Isaque Lisboa gaguejou, culpado: — E-Eu não sei do que você está falando. E-Eu gosto sinceramente da Nádia.
— É mesmo? — Patrício Freitas deu um leve sorriso e virou a cabeça para seu guarda-costas. — O ferimento dele ainda está sangrando. Vão ajudá-lo.
— Ah!
Isaque Lisboa desmaiou de dor.
— Chefe? — O guarda-costas olhou para Patrício Freitas, sem saber o que fazer. — Eu nem usei força.
— Inútil.
— Desculpe. — O guarda-costas baixou a cabeça, pedindo perdão.
— Não estava falando de você. Por que a pressa em assumir a culpa? Vamos.
Patrício Freitas se virou e saiu do quarto.
Enquanto isso...
Maria Gomes ligou para Erick Rocha. — Acabei de agredir uma pessoa no seu hospital.
Maria Gomes havia dado um soco direto no ferimento de Isaque Lisboa, agravando ainda mais sua condição.
A voz calma de Erick Rocha veio do outro lado da linha. — Na matriz ou em uma filial?
— Na filial da Ponte do Jardim de Santo Anjo.
— Deixe comigo.
Erick Rocha não fez mais perguntas. Desligou o telefone e ligou para o diretor daquele hospital.
Maria Gomes foi para a delegacia.
A família Lisboa insistia que, com a certidão de casamento, tudo era legal e legítimo.
Além disso, tinham a irmã e a mãe da noiva como testemunhas.
— Laura Souza, para começar, você não tem nenhuma relação com Patrício Freitas. E mesmo que tivesse, e daí? A delegacia pertence ao Grupo Freitas? Ameaçando um funcionário público aqui? Tenha um pingo de bom senso. Ou você está com pressa de ir para a cadeia? Se estiver tão ansiosa, posso te dar uma ajudinha.
— Você? Por que não se olha no espelho e vê se tem capacidade para isso?
Laura Souza, desenfreada e arrogante, agia como se fosse realmente a mãe de Patrício Freitas.
E mesmo que fosse, ninguém escaparia dessa.
Maria Gomes a ignorou e se virou para o policial. — Olá, policial Lacerda, sou a chefe da Nádia. Vim para saber sobre o andamento do caso.
O policial se chamava Davi Gabriel. Ele conhecia Maria Gomes, e ela o conhecia.
No caso do desaparecimento anterior de Nádia, Maria Gomes, como namorada de Caio Soares, passou a noite na delegacia e até comprou espetinhos para todos.
Mas, naquele momento, ambos fingiram não se conhecer.
O policial Davi Gabriel explicou que, como Nádia ainda não havia acordado, não tinham seu depoimento, e o caso estava parado.
Além disso, as pessoas envolvidas eram complicadas, mas isso ele não disse.
— Tenho certeza de que Nádia não se casou por vontade própria. Exijo uma investigação sobre a origem da certidão de casamento. Ela nunca foi a um cartório, então como essa certidão foi emitida?
Na certidão de casamento, constaria o nome do notário responsável, e o cartório teria registros da emissão.
Ela não acreditava que não encontrariam nenhuma informação.
Davi Gabriel respondeu, pesaroso: — Sra. Gomes, a polícia já investigou o que a senhora mencionou. O sistema do cartório foi hackeado recentemente e muitas informações foram perdidas, incluindo as de Nádia. Também questionamos os funcionários que emitiram a certidão. Eles disseram que o processo foi feito online, por agendamento, e o sistema de reconhecimento facial confirmou que eram as pessoas reais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de Amor e Glória