No meio da madrugada, Roberto estava de plantão ao lado da cama de Fabiano. Aquela família de três tinha deixado ele à beira da loucura.
Ele se preocupava com o pai, se preocupava com a mãe, parecia que aquela agonia nunca ia ter fim.
Se não fosse porque, no fim da tarde, quando saíram da sala de emergência, Ivone, ainda meio grogue, tinha murmurado que estava com dor, Fabiano não teria soltado a mão dela, e o médico não teria aproveitado a chance para separar os dois. Caso contrário, Roberto ia ter que cuidar de um em cada lado.
— Ei, não se mexe! — Disse Roberto.
Pelo canto do olho, ele tinha visto Fabiano acordar. Ele se adiantou, colocou logo as duas mãos nos ombros dele e o empurrou de volta na cama.
E por que ele precisava usar as duas mãos? Justamente porque Fabiano tinha uma força desgraçada. Mesmo ferido daquele jeito, Roberto não tinha certeza de que conseguiria segurar ele.
Os olhos de Fabiano ainda estavam completamente vermelhos, as veias de sangue estouradas no branco dos olhos. Ele mexeu os lábios pálidos e ressecados.
— E ela? — Perguntou Fabiano, com a voz rouca.
— Ela está bem. — Disse Roberto. — Ela já acordou uma vez, tomou meia xícara d’água, comeu alguma coisa, a temperatura dela está normal, a pressão está normal, o coração está normal, e o mais importante de tudo, ela ainda está no hospital. Não saiu daqui.
Roberto despejou as informações sobre o estado de Ivone de uma vez só e, no fim, repetiu o ponto principal:
— Ela não foi embora, está quietinha no quarto.
Claro que ele tinha recebido todos aqueles detalhes de Vera, justamente para poder deixar Fabiano tranquilo assim que ele acordasse. Justiça seja feita, Vera tinha sido bem parceira.
Depois de falar sobre Ivone, Roberto finalmente soltou um suspiro de alívio.
— Então você também faz o favor de ficar na linha e parar de me dar susto, pode ser? — Disse Roberto. — Ultimamente eu só ouço história de gente caindo dura do nada por causa do coração. Eu não quero morrer de susto por sua causa.
— E o Rui? — Perguntou Fabiano.
— Ele está de olho na Ivone para você. — Roberto ajeitou o cobertor de Fabiano como se fosse uma mãe mimando o filho. — Agora descansa direito, dorme um pouco.
Mas Fabiano não mostrou nenhum sinal de que pretendia dormir. Em vez disso, ele falou:
— Manda trazer a cadeira de rodas.
— O que você vai aprontar agora?
— Quero ver o meu filho.
Raul tinha certeza de que Fabiano queria ir atrás de Ivone.
— Fica de olho nela. — Murmurou Fabiano.
Roberto segurou o braço de Fabiano, ajudou ele a sentar na cadeira de rodas e o levou para fora do quarto.
— Tio Raul, pede para prepararem alguma coisa bem leve para comer e manda trazer para cá. Fabiano vai voltar e comer alguma coisa. — Disse Roberto.
As palavras de Roberto fizeram Raul parar onde estava, sem ousar seguir os dois.
— Está bem, eu já vou providenciar. — Respondeu Raul, às pressas.
Só quando o elevador começou a descer foi que Roberto perguntou a Fabiano:
— O que aconteceu entre você e a Ivone? Como é que vocês chegaram ao ponto de sair na faca e na bala?
O elevador ficou em silêncio por alguns segundos, até que Fabiano respondeu.
— Dezoito anos atrás, eu fui o responsável pela morte dos pais dela. — Disse Fabiano. — Cinco anos atrás, quando ela descobriu a verdade, eu contratei um hipnoterapeuta para apagar aquelas lembranças da cabeça dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...