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CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo! romance Capítulo 434

A porta do quarto foi arrombada, e as vozes de Davi e Roberto ecoaram em gritos lá dentro.

Roberto prendeu o fôlego.

Aquela faca de fruta já tinha perfurado o peito de Fabiano. O sangue tinha atravessado o pijama de hospital, e toda a região do peito dele estava tomada de vermelho.

Quanta força Ivone podia ter? Aquilo ali era totalmente Fabiano segurando a mão dela e enfiando a lâmina em si mesmo com força.

Ele estava completamente louco.

Os passos de Raul vacilaram. Ele ficou parado, encarando os dois em cima da cama, atônito:

— Senhorita…

Até Vera, que vinha logo atrás, ficou tão chocada com a cena que não conseguiu dar mais nenhum passo. Ela, por reflexo, se encolheu atrás da pessoa que parecia mais confiável ali do lado. Só que, assim que ela moveu o pé, a figura à frente dela se mexeu, e Rui já tinha avançado a passos largos.

— Espera. — Disse Roberto, segurando. — Você não vai olhar primeiro para ver quem está com a faca? Você acha mesmo que consegue arrancar aquela faca da mão dele?

Entre as sobrancelhas de Rui havia uma dureza fria. Ele tinha visto, sim, que era Fabiano quem segurava a faca de fruta. Um segundo antes, o impulso dele tinha sido correr para protegê-lo. Mas, no mesmo instante em que ouviu Roberto falar, ele também parou o movimento.

Enquanto Fabiano não soltasse a mão, ninguém tiraria aquela faca dele.

Fabiano tinha acabado de voltar das mãos da morte. Ele tinha se arrastado até Ivone só na base da teimosia, já completamente esgotado, mas o jeito obstinado e cruel que ele carregava no sangue fazia com que ele preferisse arrancar a própria carne a abrir mão de Ivone.

Neste mundo, a única pessoa capaz de salvar Fabiano era Ivone.

Só Davi ficou parado onde estava, sem dar um passo, com o olhar pesado e cheio de conflitos, preso nos dois em cima da cama.

Tanta gente tinha invadido o quarto, e Fabiano não pareceu notar ninguém. Ele não desviou os olhos nem por um instante do rosto de Ivone, pálido e rígido, e continuou apertando a mão dela com mais força.

Os dedos de Ivone tremiam, os músculos se contraíam porque ela tentava puxar a mão de volta, mas, mesmo assim, Fabiano não soltou.

— Você acha que assim eu vou… — Começou Ivone.

— Não vai. — Disse Fabiano. Os lábios de Fabiano se mexeram devagar. À medida que o sangue escoava, o rosto dele ficava branco de um jeito assustador. O canto da boca dele se ergueu num sorriso cheio de deboche. — Você, claro, não vai me perdoar. Eu nunca esperei que você me perdoasse. Essa facada é só para te segurar aqui.

Ali, parecia que todo mundo tinha enlouquecido.

Só de ouvir aquilo, o couro cabeludo de Roberto formigou. Uma atitude tão extrema só ia empurrar Ivone ainda mais para longe.

— Você entendeu tudo errado. — Disse Ivone.

O cheiro de sangue ficava cada vez mais forte. No olhar avermelhado dela não havia nada além de frieza e decisão.

— Mesmo que você se esfaqueie mais umas vezes, eu não vou ficar.

A faca de fruta caiu no chão.

O corpo de Fabiano finalmente não aguentou mais. O homem alto começou a ceder e deslizou para baixo. Ele caiu de joelhos no chão, mas a mão grande continuou segurando a mão de Ivone com força. As duas mãos estavam igualmente frias e rígidas.

Quando Fabiano ficou ajoelhado, Ivone, sentada na cama, finalmente conseguiu ver que toda a parte de trás dele estava encharcada de sangue. O vermelho chocante se espalhava a partir do centro das costas, onde a cor estava mais escura e pegajosa, escorrendo para os lados. Pelo estado do sangue, que já começava a secar em alguns pontos, dava para ver que ele estava sangrando desde que tinha entrado no quarto.

Os dedos de Ivone estremeceram, e Fabiano apertou a mão dela ainda mais. Ele puxou o ar com dificuldade e, sem virar a cabeça, perguntou:

— Rui, todo mundo já está no lugar?

Rui inclinou a cabeça:

— Já. Está todo mundo pronto, só esperando a sua ordem.

Quando ouviu aquilo, Roberto ficou paralisado por um instante, sem entender o que Fabiano pretendia fazer.

— Diz que vai ficar, nem que seja só da boca para fora. Se for preciso, eu te imploro.

Se continuasse daquele jeito, Fabiano realmente não ia resistir.

Fabiano tinha se arrastado até o quarto de Ivone sustentado por um único fôlego. A cada passo que ele dava pelo corredor, as pernas pesavam como chumbo, e ele precisava de três respirações para dar mais um passo. Tudo isso só para ver com os próprios olhos que ela estava viva e para ela ver que ele também ainda estava ali.

Agora, do jeito que as coisas estavam indo, era como se estivessem cortando o último fio que segurava Fabiano de pé.

Roberto estava a um passo de cair de joelhos na frente de Ivone. Mas, no segundo seguinte, o corpo dela desabou.

— Ivi! — gritou Davi.

Davi reagiu rápido, correu para segurá-la. Ele viu que todo o sangue tinha sumido do rosto dela. Os olhos estavam fechados com força. Ivone tinha desmaiado.

Quando ela perdeu a consciência, o corpo relaxou, e os dentes soltaram o lábio que ela vinha mordendo. A carne da boca dela estava toda ferida, um borrão de sangue vivo.

Chorando, Vera puxou um lenço de papel umedecido. Com movimentos bem suaves, ela limpou a boca de Ivone. Ela estava com o coração tão apertado que nem sabia o que dizer. Ela sempre soube o quanto Ivone amava Fabiano. Cada facada que Fabiano enfiava em si mesmo doía dez vezes nele, e doía onze nela.

Quando a equipe médica chegou ao quarto, Fabiano já tinha perdido a consciência, mas as mãos dele continuavam agarradas às de Ivone, exatamente como na madrugada em que ele tinha sido trazido.

Só que, agora, as palavras com que Rui tinha jurado a Fabiano que ficaria de guarda ao lado de Ivone já não tinham mais serventia nenhuma.

Sem conseguir separar as mãos dos dois, a equipe médica não teve escolha. Eles tiveram que levar os dois juntos para a sala de emergência.

Aquilo nunca tinha acontecido antes. Naquele dia, eles abriram uma exceção por causa de Fabiano. Assim que os dois entraram na sala de emergência, a equipe correu para ligar ambos aos monitores.

— Bi… bi… bi…

Os batimentos cardíacos dos dois marcavam exatamente o mesmo ritmo.

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