Mesmo que aquilo realmente não tivesse nada a ver com Hugo, Ramiro já estava convencido de que Hugo não tinha boas intenções.
Ele estendeu o braço, bloqueando o caminho de Hugo, e disse:
"Sr. Siqueira, agora o patrão da minha família está gravemente ferido e a senhora está lá dentro cuidando dele. Não é conveniente o senhor entrar agora, acho melhor esperar aqui fora."
Ao ouvir isso, Hugo rangeu os dentes e lançou um olhar frio para Ramiro.
Aquele olhar era como uma lâmina envenenada; se olhares pudessem matar, Ramiro provavelmente já estaria coberto de feridas.
Dentro da casa de pedra, David de repente voltou à consciência, mas a situação estava longe de ser normal.
Ele começou a suar intensamente, gotas grandes de suor escorriam, encharcando sua roupa.
Jessica, ao ver que ele parecia sofrer com o calor, pegou uma toalha, molhou-a na água fresca de uma nascente da serra e começou a enxugar-lhe o suor.
Vendo suas sobrancelhas franzidas e ouvindo os gemidos fracos, Jessica, aflita, disse:
"David, acorda, não me assuste assim..."
Ela não parava de trocar as toalhas e enxugar-lhe o suor.
Uma e outra vez, ela encostava a mão em sua testa, percebendo que seu corpo estava assustadoramente quente.
O que estava acontecendo? Será que ele estava com febre?
De repente, a garganta de David se contraiu e ele cuspiu sangue.
O sangue vermelho vivo respingou sobre a cama, criando uma cena chocante.
No momento seguinte, ele abriu os olhos, que estavam inteiramente vermelhos.
Jessica sabia que era o veneno em seu corpo agindo novamente, mas ao ver David despertar, ainda assim perguntou, nervosa:
"Como você está? Está sentindo algum desconforto?"
"David, recobre a consciência, o que está acontecendo com você! Mm..."
Sua voz ecoou dentro da pequena e sufocante casa de pedra, mas David não a ouvia, como se estivesse perdido em um transe do qual não conseguia sair, continuando a apertá-la contra si.
Seus beijos se tornavam cada vez mais quentes e insanos.
O olhar dele, perdido e turvo, já não tinha mais o brilho lúcido e profundo de sempre.
Jessica estava tomada pelo desespero, sentindo como se seu coração estivesse sendo colocado sobre uma grelha ardente.
Ela percebia que havia algo muito errado com David; talvez fosse o veneno agindo, talvez ele estivesse inconsciente, mas certamente não era o tipo de comportamento que teria em condições normais.
No desespero, ela tentou empurrá-lo novamente, mas ao tocar seu corpo, foi como encostar em um ferro em brasa, encolhendo a mão imediatamente devido à queimadura.
"Ahh..." Jessica respirou fundo, sentindo a dúvida crescer ainda mais em seu peito.
Por que o estado dele parecia tanto com alguém sob efeito de alguma droga?

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