Em seguida, Hugo conversou um pouco com o ancião, relembrando velhos tempos.
No entanto, qualquer pessoa atenta podia perceber que essa suposta conversa nostálgica não passava de um interrogatório discreto.
O tom de Hugo não demonstrava a menor cortesia; pelo contrário, era o ancião quem se mantinha sempre respeitoso, falando e agindo com extremo cuidado, como se tivesse certo receio de Hugo.
Depois de um tempo, Hugo de repente disse: “Velhote, está na hora de me entregar o tesouro, não acha?”
O ancião franziu levemente a testa, lançou um olhar a Hugo e, com um traço de resignação nos olhos, respondeu devagar: “Sr. Siqueira, guardei esse tesouro por tantos anos, o senhor sabe bem que há muitos segredos envolvidos aqui, receio que não possa simplesmente lhe entregar.”
Foi a primeira vez que o ancião se mostrou firme em suas palavras.
Assim que ouviu isso, o rosto de Hugo imediatamente escureceu. Ele se levantou, foi até o ancião e, encarando-o de cima, disse em tom ameaçador: “Velhote, nós tínhamos um acordo, não se esqueça. Eu resolvi tantos problemas para você, agora não venha querer voltar atrás. Passei por tanta coisa para chegar até aqui, não é para ouvir desculpas suas.”
O ancião soltou um leve suspiro, balançou a cabeça e disse: “Sr. Siqueira, peço que se acalme. Não é que eu não queira lhe dar, mas esse tesouro não é algo que qualquer um possa levar. Embaixo dessa serra há perigos demais, muitos já entraram e não voltaram inteiros. Se algo acontecer, não posso assumir essa responsabilidade.”
Hugo, porém, soltou um resmungo indiferente, tomou um gole de chá e, ao colocar a xícara sobre a mesa, olhou para o ancião e disse com calma: “Não precisa se preocupar com isso, se acontecer alguma coisa, eu assumo.”
O ancião ficou sem palavras.
Hugo prosseguiu: “Embora você tenha guardado esse tesouro por muitos anos, no fim das contas nunca conseguiu pôr as mãos nele. Deixá-lo enterrado ali é um desperdício. Quando eu pegar o tesouro, fico com metade e te dou a outra metade, que mal há nisso? Se cooperar direitinho, vamos dividir a riqueza.”
O ancião esboçou um sorriso amargo e respondeu lentamente: “Já estou com um pé na cova, para que quero dinheiro?”
Ele fechou os olhos lentamente, como se estivesse tomando uma decisão difícil. Após alguns instantes, abriu-os de novo, tirou um mapa do bolso interno do casaco com as mãos trêmulas e o entregou a Hugo.
Então, disse suavemente: “Sr. Siqueira, tem certeza disso? Os perigos lá embaixo superam tudo o que pode imaginar.”
Hugo pegou o mapa, abriu-o e olhou, respondendo com total indiferença: “Eu sei disso, não precisa me lembrar. Além do mais, nem sou eu quem vai descer lá.”
Suas palavras deixaram dúvidas no ar.
Jessica franziu a testa e perguntou: “Hugo, você nos trouxe até aqui só por causa desse tesouro?”

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