Hugo lançou para ela um olhar de leve desdém, com um sorriso que não chegava a se formar, e retrucou: “O que foi, algum problema?”
Jessica estava apenas tomada pela curiosidade. “Aqui realmente existe um tesouro?”
Aos olhos dela, aquela região deserta era isolada e perigosa; como poderia esconder um tesouro? Soava como uma lenda distante e inalcançável. Mas diante da expressão confiante de Hugo, ela começou a duvidar de suas próprias convicções, pensando que talvez a história não fosse apenas um rumor sem fundamento.
Hugo respondeu: “Existe, senão, por que eu estaria aqui? Você acha mesmo que eu arriscaria a vida só para te salvar?”
Jessica ficou em silêncio, sem palavras.
Em seguida, Hugo voltou-se para David, com um brilho calculista no olhar, e falou pausadamente: “Diretor Martins, se você me ajudar a encontrar o tesouro, eu levo vocês para fora. Você sabe, sem mim, vocês não conseguiriam sair daqui.”
Ao ouvir aquilo, Jessica imediatamente franziu as sobrancelhas, contrariada. “Então era esse o seu plano desde o começo.”
Ele os havia colocado no carro e agora queria que David se arriscasse para pegar o tesouro. Isso era inaceitável.
Hugo, porém, sorriu: “Claro, eu nunca disse que era um santo. Salvei a vida do Diretor Martins, não vejo problema nenhum em ele me ajudar a pegar o tesouro.”
Jessica olhou para o idoso e disse: “Mas ele acabou de falar que lá embaixo é muito perigoso.”
Hugo apenas deu de ombros, indiferente: “Isso não é problema meu. Eu só quero ver o tesouro.”
David permanecia em silêncio. Seus olhos profundos lembravam um lago gelado, escuros e insondáveis.
Ao ouvir aquelas palavras, ele estreitou os olhos, deixando transparecer uma frieza cortante, e perguntou: “Por que você quer tanto esse tesouro?”
Hugo pareceu ouvir a maior piada do mundo, soltando uma gargalhada: “Quem iria reclamar de dinheiro demais? Vocês têm ideia de quanto tem aqui? Dá para comprar todo o País Nascente. Aposto que até o Diretor Martins ficaria tentado.”
Só de pensar naquela montanha de riquezas, ele mal conseguia conter o entusiasmo, tremendo levemente como se já pudesse se ver no topo do mundo, olhando todos de cima.
O rosto de Hugo ficou ainda mais fechado.
Sua intenção era que David fosse buscar o tesouro, não posar de herói.
Jessica franziu o cenho e declarou, determinada: “Eu não concordo, vou com você.”
David olhou para ela com ternura: “Não precisa, eu vou sozinho. Eles falaram a verdade, lá embaixo é realmente perigoso.”
Mas, se não aceitassem, dificilmente conseguiriam sair daquele lugar.
Dessa vez, não havia como evitar.
Jessica manteve o olhar firme: “Não vou te deixar ir sozinho arriscar a vida. Se ele tentar qualquer coisa, morro junto com você.”

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