Sua outra mão apoiava a nuca dela, com uma força que quase a machucava.
Mas aquela dor era tão real, tão viva, completamente diferente do tormento ilusório provocado pela droga.
Celeste, instintivamente, afrouxou a mordida.
Nilton retirou rapidamente os dedos, que já exibiam duas fileiras profundas de marcas de dentes, com a carne ferida e ensanguentada.
Mas ele não se importou com seu próprio ferimento. Segurou o rosto dela com as duas mãos e, com os polegares, limpou o sangue dos cantos de sua boca.
"Atreva-se a morrer para ver o que acontece..."
Sua voz tremia violentamente, e seus olhos brilhavam com uma luz assustadora. "Eu corri atrás de você por três anos, esperei por você por três anos, e não foi para assistir você tirar a própria vida!"
Celeste tremia em seus braços, os dedos agarrando com força a gola de sua camisa, como se temesse que ele desaparecesse de repente. Ela tentou falar, mas apenas emitiu uma série de sons ininteligíveis.
O efeito da droga deixara sua língua dormente e sua visão embaçada, mas o brilho das lágrimas nos olhos de Nilton era inconfundivelmente nítido.
Uma gota quente caiu no rosto de Celeste.
Eram as lágrimas de Nilton. Queimavam.
"Vou tirar você daqui." Nilton enxugou o rosto de qualquer jeito e a pegou no colo com o máximo de cuidado.
Celeste estava completamente sem forças e só podia se apoiar em seu peito. Os batimentos cardíacos dele eram ensurdecedores, rápidos demais.
Contudo, quando estavam prestes a sair, a porta do quarto se abriu abruptamente.
Otávio havia retornado.
Nilton enrijeceu, protegendo Celeste em seus braços por puro instinto.
Vários guardas apontaram suas armas para a cabeça de Nilton.
Otávio entrou lentamente, seu terno ainda impecável. A luz da lua que entrava pela janela iluminava metade de seu rosto com uma palidez fantasmagórica, enquanto a outra metade se escondia nas sombras.
Ele ordenou com uma voz gélida: "Coloque-a no chão!"

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