Nilton admitiu sem rodeios: "Isso mesmo. E também descobri que você se casou com a mãe da Celeste. Legalmente, você é o pai dela. Um pai que trata a própria filha assim é pior que um animal!"
"Você está pedindo para morrer!"
O dedo de Otávio pressionou o gatilho. O som do metal se movendo ecoou como um trovão no quarto silencioso.
Nilton abraçou Celeste com mais força, seus músculos tensos.
O aviso de Orlando já havia sido esquecido há muito tempo. A palavra "rendição" não existia no vocabulário de Nilton. Se não estivesse com ela nos braços, seu único desejo seria matar.
Vendo que Otávio estava prestes a atirar, Nilton se preparou para uma aposta desesperada.
Mesmo que a chance fosse de uma em dez mil, ele a protegeria.
Ele virou a cabeça para olhar a janela e, segurando Celeste, correu em direção à varanda.
"Parem-nos!", Otávio gritou com a voz rouca.
Os guardas ficaram atônitos. Quando se deram conta, avançaram para interceptá-los.
Mas Nilton já havia arrombado a janela com um chute e subido no parapeito da varanda. A altura do quarto andar era vertiginosa, e o vento noturno assobiava, agitando a barra de sua camisa.
"Não pule!", Otávio não queria que Celeste morresse. Mas aquele moleque, Nilton, não seguia as regras. Se pulasse daquela altura com Celeste nos braços, ele mesmo poderia morrer, mas não podia arriscar feri-la.
"Segure-se em mim", Nilton sussurrou no ouvido de Celeste, prestes a saltar com confiança.
"Não tenha medo, eu serei seu escudo."
"Três, dois..."
"BOOM!"
Nesse momento crítico, uma explosão alta soou à distância, seguida por uma sucessão de gritos:
"Alguém explodiu o portão principal!"
"Protejam o senhor!"
"Todos para o pátio da frente!"
"O que está acontecendo?", Otávio hesitou por um instante.

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