Otávio sorriu, e seu sorriso pareceu especialmente sinistro sob a luz da lua: "Porque não aguento mais esperar. O jeito que aquele moleque, Nilton, olha para você me deixa muito desconfortável."
Na verdade, ele já ficara irritado quando Nilton apareceu na Mansão Valente.
Nilton? O coração de Celeste deu um salto.
Ela se lembrou da ligação que fez quando ainda estava consciente. Ele viria mesmo? E mesmo que viesse, como poderia enfrentar o poder de Otávio?
"Você acha que ele virá salvá-la?" Otávio pareceu ler seus pensamentos. "Mesmo que venha, não importa. Meus guardas o ‘recepcionarão’ muito bem."
O rosto de Celeste ficou pálido como a morte.
Os dois se encaravam em silêncio. A única gentileza de Otávio era esperar que ela se rendesse primeiro, que implorasse para que ele a libertasse.
E Celeste sabia que morreria antes de lhe pedir qualquer coisa...
Nesse exato momento, todas as luzes da mansão se apagaram de repente, e o som de um alarme perfurou o céu noturno.
Otávio franziu a testa e pegou seu rádio comunicador: "O que está acontecendo?"
Uma voz apressada respondeu pelo rádio: "Senhor! O sistema de segurança foi hackeado e está sofrendo invasões externas constantes!"
A expressão de Otávio tornou-se sombria instantaneamente.
Ele caminhou rapidamente em direção à porta, mas olhou para trás, para Celeste na cama: "Não tenha esperanças. Assim que eu resolver este pequeno problema, nós continuamos."
No instante em que a porta se fechou, Celeste usou toda a sua força para rolar para fora da cama. A dor da queda no chão a deixou lúcida por um breve momento.
Ela precisava sair, precisava aproveitar a confusão...
Mas a droga era forte demais.
Como um peixe fora d’água, ela só conseguia se arrastar debilmente pelo tapete.
Sua visão ficava cada vez mais turva, e o som do seu próprio coração batia como um trovão em seus ouvidos. O desespero a inundou como uma maré.

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