Dois anos.
Essas duas palavras atingiram o peito de Nilton Gomes como um martelo pesado.
Ele conhecia Celeste Valente há três anos e nunca havia percebido.
"Será que... houve algum engano?" Ele ainda tentava uma última resistência, mas sua voz já havia perdido a firmeza.
Orlando Gomes balançou a cabeça e pegou outro laudo de exame toxicológico: "Esta é a análise detalhada dos componentes dos medicamentos. Paroxetina, Fluoxetina... são todos antidepressivos típicos, e..."
Ele fez uma pausa. "Ela também tem marcas de automutilação no corpo. Embora já tenham cicatrizado, o tecido da cicatriz..."
Nilton se levantou antes que ele terminasse, a cadeira arrastando no chão com um som agudo e estridente.
Ele não conseguia mais ouvir. Cada palavra rasgava seu coração como uma faca.
Sua deusa radiante e cheia de vida, a pessoa por quem ele nutriu um sentimento silencioso por três anos... Como era possível?
"Eu preciso... preciso me acalmar." Nilton largou o prontuário, sem saber como saiu da sala, lembrando-se apenas de ter cambaleado algumas vezes.
A luz do corredor feria seus olhos. Nilton caminhava mecanicamente, mas parou de repente a pouco mais de dez metros do quarto do hospital.
Dois anos, antidepressivos, marcas de automutilação.
Lembrou-se do olhar frequentemente melancólico dela, e do hábito de usar um lenço de seda amarrado no pulso, então...
O coração de Nilton deu um salto e, por fim, com um soco de autorrecriminação, ele atingiu a parede. "Como eu pude ser tão estúpido..."
Todos os sinais estavam ali. Ele deveria ter notado que algo estava errado com sua deusa muito antes.
Ao pensar nisso, o coração de Nilton se apertou, e ele correu de volta para o quarto em passadas largas.
No instante em que abriu a porta, seu coração quase parou.
A cama do hospital estava vazia, o cobertor amontoado desordenadamente de um lado. A pessoa que estava deitada ali havia desaparecido.
"Celeste?" A voz de Nilton tremia.

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