Mal sabia ele que, ao ouvir essa frase, Celeste chorou ainda mais.
"Não... ela não me perdoaria... Mesmo que Solange estivesse olhando, ela me odiaria..."
Nilton ficou atônito: "Celeste..."
"Você não sabe..." Celeste soluçou, como se estivesse desabafando um segredo guardado por anos. "Naquele ano, eu e minha mãe a abandonamos... Ela não me reconhecia mais como irmã..."
Nilton a olhava, chocado.
Embora soubesse que Celeste estava procurando por sua irmã biológica, em todo o tempo que a conhecia, ela nunca havia mencionado esse passado.
Quando falava sobre sua família, ela sempre era breve e superficial. Acontece que, por baixo daquela aparência calma, havia uma culpa e uma dor profundas.
Nilton disse em voz baixa: "Não foi sua culpa. Naquela época, você também era apenas uma criança."
Celeste deu um sorriso amargo, as lágrimas ainda escorrendo: "Mas eu cresci depois, tive inúmeras oportunidades de consertar as coisas... mas eu... eu..."
*O que ela fez?* Nilton não insistiu na pergunta.
Algumas feridas sangram mais quando são abertas.
O quarto ficou em silêncio, preenchido apenas pelos soluços contidos de Celeste e pela respiração pesada de Nilton.
Lá fora, o crepúsculo descia lentamente, envolvendo suas silhuetas em um contorno suave e indistinto.
Depois de muito tempo, o choro de Celeste finalmente se acalmou.
Ela se recostou exausta nos travesseiros, os olhos vermelhos e inchados, o rosto pálido como papel.
Nilton lhe entregou um lenço em silêncio. Ela pegou, agradecendo em voz baixa.
Nesse momento, bateram suavemente na porta do quarto.
Orlando entrou e, ao ver Celeste acordada, acenou com a cabeça: "Srta. Valente, está se sentindo melhor?"

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