Então ele disse: "Daqui a pouco eu vou distraí-los, vocês aproveitem para fugir primeiro!"
Raquel, aflita, respondeu: "Eu e Jessica vamos fugir para onde? Com certeza ainda tem gente de tocaia no hospital, agora nenhum lugar é seguro."
Jessica, forçando-se a levantar, disse: "Raquel está certa, se for para fugir, que seja juntas."
De repente, Raquel se lembrou de algo e agarrou a mão de Jessica: "Jessica, a tesoura ainda está aí com você?"
Jessica assentiu com a cabeça e apalpou o bolso onde estava a tesoura, mas uma tesoura só, de fato, não serviria de muita coisa.
Ramiro conferiu o carregador da pistola, certificando-se de que a arma estava engatilhada. "Fiquem tranquilas, senhoras, vou proteger vocês com a minha vida. Daqui a pouco, vou contar até três, abro a porta e vou na frente, vocês venham logo atrás de mim. Se surgir uma chance, corram para a saída de emergência."
Jessica e Raquel assentiram ao mesmo tempo.
......
Em outro quarto, Maria despertou lentamente. Ao virar a cabeça, viu Hugo sentado numa cadeira ao lado da cama, segurando uma pequena faca e descascando uma maçã com toda calma.
A casca caía em espiral perfeita, sem jamais se partir, pendendo até a lixeira.
"Hugo..." A voz de Maria soou rouca, a garganta seca como se estivesse cheia de areia.
Hugo não levantou o olhar, mantendo a expressão fria.
Maria suspirou sem querer: "Você ainda está zangado comigo?"
Hugo respondeu com indiferença: "Não tem por que ficar zangado, afinal, você nem é minha mãe de verdade."
Uma dor surda apertou o peito de Maria: "Apesar de não ser sua mãe biológica, todos esses anos, sempre o tratei como um filho de sangue..."

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