Uma lágrima caiu descontroladamente sobre as palavras "dignidade".
Desculpe, Hugo, eu prometi que iria te salvar, mas não consegui...
Jessica estava sentada na cama da enfermaria, apertando aquela carta com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. Um leve gemido escapava de sua garganta. Não havia gritos dilacerantes, apenas um tremor silencioso, mas que partia o coração mais do que qualquer choro desesperado.
David quis se aproximar para consolar, mas Orlando o puxou para fora, fazendo sinal para dar um pouco de espaço à irmãzinha.
Os dois saíram para o corredor.
Orlando suspirou, falando em voz muito baixa: "Hugo já sabia da condição dele. Ele estava ciente de que seu corpo estava piorando aos poucos, que os órgãos iriam falhar rápido. Em pouco tempo, até a memória dele começaria a se apagar. Ele quis partir enquanto ainda estava lúcido."
Ele fez uma pausa e, de repente, comentou: "Parece que Hugo realmente amava a nossa irmãzinha. Preferiu dar fim à própria vida a deixá-la numa situação difícil."
O semblante de David, que já não estava bom, piorou ainda mais ao ouvir isso.
A mandíbula ficou tensa, rígida.
Amor verdadeiro?
Quem não sente o mesmo?
"Ninguém quer morrer assim, feio, sofrendo aos poucos."
Orlando assentiu: "De fato, para ele, a morte era um alívio."
Olhou para a porta fechada do quarto, o olhar entristecido: "Que pena, a nossa irmãzinha deve estar sofrendo muito. Afinal, eles se davam tão bem..."
David ficou em silêncio.
Orlando terminou e se afastou, dando um tapinha no ombro de David antes de sair: "Consola ela, faz ela não ficar tão triste."
David ficou sozinho diante da porta.
Não ouvia nenhum som de dentro, mas podia imaginar o estado de Jessica.

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