"Maninha, o Hugo sumiu."
Assim que percebeu o desaparecimento de Hugo, Orlando foi imediatamente contar para Jessica.
"O quê?"
Jessica correu rapidamente em direção à enfermaria, abriu a porta e constatou que o quarto estava mesmo vazio; a pessoa que deveria estar deitada na cama já não estava mais lá.
"Onde ele foi parar?" Jessica perguntou.
O médico de plantão, que chegou apressado, ficou visivelmente constrangido: "Nós chegamos cedo o suficiente, mas quando fizemos a troca do plantão já não vimos o Sr. Hugo. As câmeras mostram que ele saiu sozinho por volta das quatro da manhã."
O rosto de Jessica mudou de cor: "Ele saiu sozinho? Ele estava tão debilitado, como conseguiu sair assim?"
O médico ainda não tinha respondido.
Nesse momento, Orlando avistou um bilhete sobre a mesa. "Maninha, olha isso."
Jessica se aproximou apressada e viu uma folha de papel repousando silenciosamente no criado-mudo, presa sob um frasco de remédio.
No instante em que reconheceu a letra de Hugo, um mau pressentimento tomou conta dela.
Pegou o papel; seus dedos tremiam incontrolavelmente.
A carta era curta, apenas algumas frases:
"Jessica:
Me desculpe, perdoe-me por partir sem avisar.
Eu fui embora, levei comigo as flores dos pequenos. Estavam lindas.
Não precisa me procurar.
A morte é o meu destino. Espero partir com dignidade no último momento da minha vida.
Cuide bem dos pequenos, e cuide de você também.
— Hugo"
Hugo deixou apenas essas poucas palavras e partiu, levando consigo apenas as flores de papel coloridas que as crianças haviam feito para ele na noite anterior.
O quarto de hospital estava assustadoramente silencioso, a ponto de se ouvir claramente até a respiração.
Orlando, parado ao lado, olhava para o rosto pálido da irmã e não se atrevia a dizer nada, sem saber como confortá-la.

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