No dia seguinte, Jessica acordou sonolenta e esfregou os olhos, sem se lembrar de como tinha adormecido.
Ela só se recordava de ter contado histórias para dormir para os quatro pequenos, e depois... depois simplesmente não se lembrava de mais nada.
Ela se espreguiçou e percebeu que a cama já estava vazia, os quatro pequenos já haviam se levantado e David também havia desaparecido.
Os pequenos travesseiros das crianças estavam alinhados no centro da cama, ainda com o cheiro adocicado de leite que vinha delas.
Depois de se arrumar, Jessica saiu do quarto. Uma funcionária se aproximou trazendo um copo de água morna com mel e limão, soltando vapor: "Bom dia, senhorita, os meninos já estão tomando café da manhã na sala de jantar."
Jessica pegou o copo, na temperatura ideal: "Obrigada. E o Sr.... Martins?"
A funcionária respondeu: "O Sr. Martins está recebendo visitas no jardim. O Sr. Ramiro chegou cedo, veio especialmente para vê-lo."
"Sr. Ramiro?" Jessica franziu o cenho, pensando em que Ramiro poderia ter vindo tão cedo encontrar David.
Movida pela curiosidade, ela terminou a água com limão e foi direto para o jardim.
Jessica seguiu pela trilha de pedras até o jardim e, à distância, avistou as costas eretas de David. Naquele dia, ele usava uma camisa cinza-escura, que realçava ainda mais seus ombros largos.
À sua frente, estava um jovem de pele escura.
Jessica logo percebeu que era Ramiro.
Ramiro havia sido chamado de volta do campo de treinamento às pressas e, profundamente grato, falou com exagerada emoção: "Diretor Martins, o senhor finalmente se lembrou de mim!"
O sertão era um lugar impossível de se viver, dias de sofrimento sem fim e treinamentos de dia e de noite...
Depois de falar, Ramiro de repente percebeu algo estranho: "Diretor Martins, seus olhos...?"


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