A sala de espera da maternidade estava lotada.
Gente entrando, gente saindo, enfermeiras correndo com prontuários nas mãos, o cheiro de antisséptico misturado ao café velho que alguém esquecera na máquina.
Mas ali, no canto direito, o grupo inteiro ocupava quase um bloco inteiro de cadeiras.
Laís chegou com Emma ao lado, e antes mesmo de se sentar, Nathalia correu até ela:
— ELOISE JÁ TÁ LÁ DENTRO! — disse quase sem fôlego.
Thiago estava encostado na parede, braços cruzados, tentando parecer calmo — mas o pé batendo no chão entregava tudo.
Heitor e Ricardo conversavam baixo, tentando ocupar a ansiedade.
Os avós — Carlos, José e Cláudia — estavam sentados juntos, mãos entrelaçadas, cada um rezando à sua maneira.
Sofia se aproximou e recebeu um abraço coletivo das meninas, que quase derrubou ela para trás.
O coração dela finalmente começou a se acalmar…
Até ouvir a frase que desmontou tudo por dentro.
Thiago, olhando o celular, avisou:
— Thomas disse que chega em vinte minutos.
Sofia piscou. Uma, duas vezes. O peito apertou.
> Vinte minutos?
Por que ele não me avisou?
Por que não mandou nem um “tô indo”?
Ela ajeitou o casaco, tentando disfarçar a pontada — mas Nathalia notou.
Todo mundo notou.
Ninguém comentou.
O relógio parecia andar mais devagar até que a porta automática se abriu.
E Thomas entrou.
Uniforme preto, expressão séria, olhar atento — aquele ar de policial que carrega o mundo nas costas.
Mas quando os olhos dele encontraram os de Sofia…
Foi rápido.
Quase imperceptível.
Mas profundo.
Sofia desviou primeiro.
Thomas engoliu seco.
Thiago cumprimentou Thomas com um aperto de mão forte — os dois trocando aquele olhar silencioso de quem entende responsabilidade, medo e segredos que não chegam ao resto do grupo.
A tensão no ar era quase palpável.
Antes que alguém pudesse comentar, a porta branca da ala de parto se abriu.
Uma enfermeira sorriu:
— Família de Eloise Monteiro?
O grupo inteiro levantou como se tivesse levado um choque coletivo.
— Podem me acompanhar. A Cecília chegou.
Explodiram risos nervosos, passos apressados, mãos se agarrando umas às outras.
Sofia, por um instante, esqueceu tudo — o medo, a distância, o silêncio de Thomas.
Era um momento doce demais para carregar qualquer dor.
Ela respirou fundo…
… e foi com os outros.
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Na sala de vidro
Do outro lado, Augusto Monteiro estava transformado.
Terno amarrotado, cabelo bagunçado, olhos vermelhos — mas com um sorriso enorme, quase juvenil, estampado no rosto.
Ele não desgrudava o rosto do vidro, como se estivesse olhando o maior milagre da vida dele.
Quando o grupo chegou, ele acenou:
— Venham ver ela. A minha… a nossa Cecília.
As meninas encostaram no vidro, os olhos brilhando como se tivessem recebido um presente que esperaram a vida inteira.
Cecília estava ali: minúscula, tranquila, enrolada num cobertor lilás.
— É perfeita… — Sofia sussurrou, quase sem ar.
Augusto chamou Thomas com a cabeça:
— Vem aqui, irmão. Olha isso…
Thomas se aproximou devagar.
E quando viu Cecília…
Foi como se o peito dele abrisse.
Por um segundo, o mundo inteiro silenciou:
A dor.
A culpa.
A tensão.
O caso.
O trauma.
Tudo sumiu.
Era só uma bebê.
Vida.
Esperança.
Futuro.
Sofia observava.
Esperando ver aquele sorriso dele…
Esperando sentir alívio…
E viu.
Por dois segundos, ele sorriu — pequeno, sincero, quase infantil.
Mas então…
O pensamento veio.
Como um tiro.
Cruel.
Rápido.
Implacável.
> Sofia merece isso.
Uma vida limpa.
Segura.
Alguém que não arraste ela pra escuridão.
Não alguém como eu.
O sorriso morreu.
O olhar endureceu.
A mandíbula travou.
Ele ficou parado, olhando para o vidro — mas vendo outra coisa.
Sofia percebeu na hora.
Ela viu quando o brilho desapareceu dos olhos dele.
Viu a muralha subir.
Viu o coração dele ir embora para algum lugar onde ela não tinha acesso.
Algo estalou dentro dela.
Pequeno.
Quase inaudível.
mas se escondendo atrás de uma armadura nova.
Ela respirou fundo.
— Quero ir para sua casa.
Thomas não desviou o olhar da estrada.
— Tudo bem. Assim você não fica sozinha… já que Nathalia não sabemos que horas volta.
— Aquela turma vai até de manhã. — Sofia riu, tentando esconder a frustração.
O riso dela morreu no ar.
O silêncio se instalou.
Pesado.
Cortante.
Thomas estava ali…
mas longe.
Muito longe.
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No apartamento dele
O elevador abriu.
Os dois entraram no apartamento em silêncio.
Thomas tirou o casaco, mas nem olhou para ela.
— Vou para o escritório terminar umas pendências.
Sofia engoliu seco.
— Tudo bem. Vou tomar um banho.
Ela entrou no quarto.
Ele entrou no escritório.
E o abismo entre os dois… só cresceu.
No escritório
Thomas ficou parado diante da janela.
Imóvel.
Respirando fundo, como se tentasse manter o controle do próprio corpo.
Ter Sofia ali era bom.
Ter Sofia ali era tortura.
O medo estava corroendo ele de dentro para fora.
Ele tocou o vidro.
— Se acontecer de novo… eu não sobrevivo.
Era isso.
O que afastava Thomas
não era falta de amor.
Era amor demais.
Era pavor.
Era trauma.
Era sentir na pele que quase perdeu a única coisa que ele não saberia como viver sem.
Ele fechou os olhos.
Mas, mesmo com o mundo desabando dentro dele…
ele tinha saudade.
Saudade da pele dela.
Do toque dela.
Do jeito dela de entrar na casa dele e torná-la um lar.
Saudade do nós que existia antes daquela noite transformar tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...