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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 307

O apartamento de Sofia parecia pequeno demais quando ela entrou.

Mas não estava vazio.

Nada disso.

Assim que a porta abriu, o mundo inteiro dela correu em sua direção.

— RUIVINHA! — Eloise foi a primeira a abraçá-la, apertando forte, quase tirando o ar, mesmo com a barriga pesada.

Emma veio atrás, agarrando o rosto de Sofia com cuidado para não machucar.

Laís estava com um cobertor em mãos, como se pudesse protegê-la do mundo inteiro.

A mãe se emocionou ao vê-la cercada pelas amigas.

O pai — ainda desconfiado, ainda desconsertado — simplesmente virou o rosto, enxugando uma lágrima que fingiu não existir.

— Estamos aqui, tá? — Eloise disse, beijando a testa dela. — Todas nós.

Sofia respirou fundo.

O cheiro do apartamento.

O sofá.

Os quadros tortos na parede.

Tudo igual.

Mas nada igual.

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Os dias seguintes

A casa ficou cheia por quase uma semana.

As meninas revezavam para dormir com ela.

As tias ligavam.

Os vizinhos levavam comida.

A mãe limpava compulsivamente qualquer canto como se pudesse apagar o que aconteceu.

O pai checava trancas e janelas de cinco em cinco minutos.

Sofia…

Sofia não chorava.

Não tremia.

Não se quebrava na frente de ninguém.

Ela acordava cedo, estudava o TCC, marcava horário com o orientador, lia códigos e resoluções como sempre.

Mas quando precisava sair para a faculdade ou para o estágio…

ela travava.

Não conseguia simplesmente caminhar sozinha.

O coração acelerava.

O ar sumia.

As mãos suavam.

E sempre, sempre, ela mandava mensagem:

> “Thomas, você pode vir me buscar?”

E ele vinha.

Sempre vinha.

Chegava rápido demais.

Com a Hilux.

Com o olhar atento.

Com o corpo inteiro pronto para proteger.

Mas…

Não a tocava.

De nenhuma forma.

Nem segurava sua mão na rua.

Nem beijava sua testa ao deixá-la no prédio do estágio.

Nem a puxava para perto no carro.

Apenas dirigia.

Observava.

Vigiava.

Cuidava.

Distante.

Tenso.

Preso em algo que ela ainda não entendia.

Sofia sentia aquilo como um corte fino no peito.

Uma dor silenciosa.

E não sabia dizer o que machucava mais:

O sequestro.

Ou o afastamento dele.

---

Na delegacia

Thomas estava diferente.

Obcecado.

Implacável.

As paredes da sala dele estavam cobertas por:

• fotos do galpão

• mapas da região

• horários de câmeras

• rotas marcadas com caneta vermelha

• relatórios da divisão de tráfico infantil

• anotações feitas à mão com letra pesada e trêmula

Ele não comia direito.

Não dormia.

Não sorria.

Bruna observava cada movimento dele com aquela mistura estranha de pena e vaidade.

Alex e Nelson trocavam olhares preocupados — o tipo de olhar de quem sabe que alguém está prestes a quebrar.

O delegado passava na porta e dizia sempre a mesma coisa:

— Alves, você não pode trabalhar 24h por dia.

Mas Thomas apenas respondia:

— Ele encostou nela.

E voltava para o quadro.

Voltava para as fotos.

Voltava para a investigação.

Até que Nelson, sem querer, disse a frase que calou toda a sala:

— Esse caso do “Dom”… não é só sobre tráfico.

— Parece que tem alguém novo no comando.

— Alguém que conhece você e quer vingança.

Thomas ficou imóvel.

Só respirando.

Fundo.

— Vamos, Sofia. Agora.

O corpo de Sofia finalmente reagiu.

Ela correu para o quarto.

Trocou de roupa com as mãos tremendo.

Prendeu o cabelo num coque torto.

Passou água no rosto para afastar a cara de exausta.

Pegou a bolsa.

O reflexo no espelho mostrou uma mulher marcada, cansada — mas firme.

Determinada.

E com o coração na garganta.

Ela saiu do quarto ainda ajeitando a blusa.

— Vamos. Corre. — disse para Nathalia.

E naquele momento, enquanto as duas atravessavam a porta com passos rápidos…

Sofia teve certeza de uma coisa:

a vida não parou por causa do medo.

E ela não ia ficar para trás dele.

Porque quando alguém do grupo estava no hospital… ninguém ficava para trás.

E, dessa vez, o motivo era ainda mais doce:

todos queriam ser os primeiros a conhecer Cecília.

No elevador, o espelho prateado refletia a correria das duas — Nathalia ansiosa, Sofia ainda despertando do susto.

Sofia, quase sem pensar, pegou o celular.

Desbloqueou a tela.

Nada.

Nenhuma mensagem do Thomas.

Nenhum “tô indo pra aí”. Nenhum “como você tá?”. Nenhum “precisa de mim?”

Um vazio.

Frio. Incômodo. Silencioso.

Ela engoliu seco e apagou a tela rápido, como se o próprio celular pudesse entregar seus sentimentos.

Mas dentro dela…

doeu.

Mais do que admitiria em voz alta.

Mais do que queria aceitar.

Porque Sofia sabia:

Não era indiferença.

Era medo.

Medo dele.

Medo por ela.

Medo do que os dois estavam virando desde aquela noite.

O elevador abriu com um ding suave.

Nathalia saiu apressada.

Sofia respirou fundo…

…e guardou a dor no bolso junto com o celular.

Porque agora não era hora de pensar nele.

Agora, a prioridade era Eloise. Cecília. A família.

Mas uma coisa ficou presa no peito dela — pequena, aguda, inevitável:

> Por que ele tá tão distante… justo agora?

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