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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 97

Demorou alguns segundos para Alba entender o outro significado de 'encomendar um delivery'.

— Você não pensa em outra coisa senão bobagens. Aqui é o Bosque dos Ipês, e não um cabaré.

Matheus repreendeu num tom absurdamente sério.

Miguel estalou a língua com desdém.

Apenas Jefferson ergueu os olhos e fitou Alba, que havia acabado de entrar no cômodo.

Ela vestia uma jaqueta branca curta e uma saia lápis azul-marinho.

Eram roupas comuns.

Porém, a saia justa modelava suas curvas até o extremo da perfeição.

A cintura fina, os quadris arredondados e até os tornozelos expostos pela barra da saia eram incrivelmente atraentes.

Os longos cabelos caíam de forma despojada. Sem nenhuma maquiagem, o seu rosto possuía a pureza da lua fria suspensa na noite da montanha.

Jefferson ergueu a mão para afrouxar ligeiramente a gravata, com a garganta repentinamente seca:

— Venha sentar.

Miguel e Matheus estavam sentados de costas para a entrada e só se viraram quando ouviram a voz de Jefferson.

Ao ver Alba, Miguel ficou espantado e rapidamente voltou seu olhar para Jefferson.

Mas Jefferson o ignorou.

Miguel soltou uma risada abafada, puxou a cadeira ao seu lado e estampou um sorriso encantador:

— Dra. Aragão, por favor, sente-se aqui.

Matheus assistia à cena como se não tivesse nada a ver com aquilo. Tomou um gole do seu chá curativo e continuou em silêncio.

Ao notar a presença de Matheus, o olhar de Alba ficou tenso.

Anos atrás, toda vez que os amigos de Jefferson riam dela, Matheus estava presente.

Ele falava pouco, mas concordava ocasionalmente com eles.

Alba não tinha o costume de conviver muito com ele.

Mas guardava uma lembrança muito forte a seu respeito.

Houve uma época em que Jefferson havia encarregado Matheus de prescrever uma rotina extensa de suplementos naturais para equilibrar seu sistema reprodutivo e preparar seu corpo para uma gestação.

Naquele instante, Alba fingiu não o conhecer, e também não esboçou intenção de se sentar ao lado de Miguel. Ela apenas olhou para Jefferson e disse de forma respeitosa:

— Sr. Soares, eu vim buscar a minha bolsa.

— Bolsa?

Miguel, confuso, perguntou:

— O que está acontecendo aqui?

Jefferson atirou uma carta na mesa e explicou:

Parecia que ela estava sendo atirada em uma fogueira.

As palavras de Miguel foram um claro lembrete de que ela deveria manter distância.

Na verdade, a pessoa que mais queria manter distância ali era ela mesma.

Mas...

Alba lançou um olhar para o celular que o homem já tinha voltado a manusear, não hesitou mais, ignorou Miguel e foi sentar-se diretamente ao lado de Jefferson.

Miguel atirou as próprias cartas na mesa:

— Perder uma rodada não importa, vamos para a próxima.

Dito isso, os três iniciaram uma nova mão do jogo.

Alba estava sentada como se estivesse sobre espinhos. Quando fez menção de pegar o celular de volta, Jefferson aproximou-se de seu ouvido de forma repentina:

— Sirva um copo de chá para mim.

— Sim...

Aquela obediência que nascera de um ato reflexo fez com que ela mordesse o lábio em frustração.

Aquela cena e aquela atmosfera transportaram-na imediatamente para os velhos tempos, quando vivia sob as asas de Jefferson.

Naquela época, com exceção dos jantares de negócios, Jefferson costumava levá-la com ele a todos os compromissos privados e encontros entre amigos.

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