Ela agia como uma cuidadora atenciosa. Quando ele não se sentia bem após beber, ela preparava rapidamente uma infusão reconfortante e lhe entregava.
Durante as refeições, ela fazia questão de higienizar novamente os talheres e pratos dele.
Era tão meticulosa que, ao servir uma sopa, testava a temperatura nas costas da própria mão antes de colocar a tigela à sua frente.
Até mesmo na bolsa, ela sempre carregava preservativos.
Ele tinha uma preferência peculiar por se envolver intimamente com ela em diferentes ocasiões...
Perdida nesses pensamentos, Alba já havia se levantado e caminhado até o balcão de chás.
Sobre o balcão, havia cinco ou seis latas com diferentes misturas de ervas e folhas.
Provavelmente preparadas para agradar aos diversos paladares das visitas.
Cinco minutos depois, Alba trouxe uma xícara fumegante e a colocou diante de Jefferson.
Ele deu um pequeno gole, franziu a testa e pousou a xícara.
— Não gosto deste sabor.
Ele murmurou suavemente, enquanto brincava com as cartas que tinha nas mãos.
Alba, é claro, sabia disso.
Ninguém conhecia as preferências de Jefferson melhor do que ela.
Por isso, ela não preparou a infusão de folhas torradas que ele tanto adorava, mas sim uma mistura de ervas amargas que ele detestava.
Se demonstrasse conhecer tão bem os gostos dele, fatalmente ele teria outro de seus surtos de desconfiança.
— Então vou preparar outra. Que tipo de chá o Sr. Soares prefere?
Ela perguntou.
Jefferson observou a expressão inocente dela e estreitou os olhos:
— Não é necessário.
— Ah...
Aquela cena dos dois sussurrando de forma tão próxima picou os olhos de Miguel como uma agulha.
— Dra. Aragão, poderia fazer a gentileza de me preparar um café?
Alba não tinha a menor vontade de ir.
Ele realmente a estava tratando como uma empregada.
No entanto, Jefferson interveio:
— Vá. Se o convidado quer beber algo, é natural que o sirvamos bem.
— ...
O jeito que ele falou a fez parecer a dona da casa...
Justo quando sua mão escorregou e sua cabeça despencou, uma palma quente e firme a segurou a tempo, encostando-a suavemente em seu ombro.
Ela se apoiou confortavelmente nele.
O apoio firme a deixou ainda mais sonolenta. Sentindo aquele frescor amadeirado tão característico, era como se tivesse viajado no tempo.
Naquela época, sempre que ela o acompanhava em longas partidas de cartas e ficava com sono, ele deixava que ela usasse o seu ombro como travesseiro...
— O jogo acabou.
Jefferson olhou para Alba, que dormia profundamente em seu ombro, empurrou suas cartas para o centro da mesa e a pegou no colo, levando-a para o segundo andar.
— Caramba! Jefferson, você perdeu o juízo...
Miguel estava se corroendo de ciúmes, com gosto amargo na boca.
Matheus puxou o braço dele:
— Chega. Desde que éramos crianças, quando foi que você conseguiu vencer o Jefferson? Lembra quando você correu atrás da Adelina feito um louco? No fim, a Adelina não acabou escolhendo o Jefferson?
— Você está falando isso só para me irritar, não é?
Miguel marchou para fora, espumando de raiva.
Vendo que ele estava prestes a explodir, Matheus o seguiu:
— Qual é a sua intenção com essa Alba, afinal?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais