Alba nunca imaginou que Jefferson se ofereceria para devolver a bolsa.
Afinal de contas, ele havia dito mais cedo para ela ir buscá-la no escritório na segunda-feira...
Ela olhou a hora. Eram sete e meia da noite.
Sair para encontrá-lo à noite não parecia apropriado.
Afinal, ele era um homem casado e com família.
Além disso, toda vez que se lembrava da cena em que ele a prensou no elevador para beijá-la à força, sentia um arrepio na espinha.
À tarde, ao ficar de frente com Adelina no aquário, ela havia se sentido extremamente culpada e angustiada.
Sentiu como se tivesse voltado a seis anos atrás, à época em que era amante de Jefferson...
Alba ponderou por dois segundos e respondeu:
— Sr. Soares, já é muito tarde. É melhor eu ir buscá-la no escritório na segunda-feira.
Após um novo silêncio, ele falou em um tom casual:
— Dra. Aragão, quanto tempo você acha que eu levo para desbloquear o seu celular?
— Você...
Alba ficou em pânico:
— Sr. Soares, invadir a privacidade do celular de outra pessoa é uma enorme falta de educação.
— Nós já nos beijamos. Não acha que é um pouco tarde para falar de educação?
— ...
Alba engasgou, e seu rosto ficou vermelho de raiva.
Jefferson escutava a respiração descompassada dela, demonstrando a raiva que sentia. Sentado na beira da cama, ele passou a mão pelos lençóis perfeitamente esticados.
Lembrou-se daquela noite em que estava deitado ao lado dela, na loucura em que se perdeu para aliviar a própria tensão...
Ele mesmo se achava um doente mental por agir daquela forma com uma mulher que era tão idêntica à Stella...
No entanto, ele nunca foi o que se poderia chamar de cavaleiro.
Em um tom de total indiferença, ele disse:
— O carro está lá embaixo. Decida-se.
Após dizer isso, desligou a ligação.
Nesse momento, um empregado bateu à porta:
— Sr. Soares, o Sr. Miranda e o Sr. Gomes chegaram.
...
Ao desligar o telefone, Alba bagunçou o cabelo, frustrada.
Ela morria de medo de que Jefferson enlouquecesse e realmente desbloqueasse o celular para vasculhar sua vida.
Ele dizia que era para devolver a bolsa, mas na verdade, era uma ameaça clara.
Mesmo irritada, Alba começou a trocar de roupa às pressas.
Quando saiu do quarto, os três pequenos ainda assistiam aos desenhos.
Elara correu até ela e se jogou em seus braços:
— Mamãe, você vai sair? Eu tô com fome...
Eles tinham almoçado depois das duas da tarde. Já eram sete horas e estava na hora do jantar.
Mas ela tinha que sair...
Alba chamou Talles e Demian:
— A bolsa está com o Sr. Soares. Eu vim apenas buscá-la para ir até ele.
— ...
Alba franziu o cenho.
Ele mandou Murilo vir de tão longe, não poderia simplesmente ter mandado a bolsa junto?
Ela nem sabia para onde estava sendo levada...
Aquela cena fez com que ela se lembrasse do passado, quando Murilo ficava parado exatamente da mesma forma ao lado da porta do carro.
Stella Soares, o senhor me pediu para levá-la à empresa...
Stella Soares, o senhor me pediu para levá-la ao hotel...
Stella Soares, o senhor está em viagem de negócios e me pediu para levá-la ao aeroporto...
Os fragmentos de memória inundaram sua mente novamente, e Alba teve a sensação de estar perdendo o controle gradativamente.
Ela apertou os dedos com força e questionou:
— Onde está o Sr. Soares?
— No Bosque dos Ipês.
— Onde fica isso?
Murilo não respondeu diretamente:
— Dra. Aragão, saberá quando chegarmos lá.
Alba ficou em silêncio por dois segundos antes de ceder:
— Espere um pouco. Vou comprar um lanche para as crianças e levar lá em cima.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais