Lembrando-se do passado.
Ela o amava. O amava a ponto de aceitar, de bom grado, vê-lo arranjar um casamento com a Família Botelho, até o momento em que ele ficou noivo de Adelina.
Ele havia dito que, mesmo que ficasse noivo ou se casasse, queria que ela permanecesse ao seu lado por toda a vida.
Ele só queria que ela fosse obediente e fizesse o que ele mandasse.
Se não fosse pelo incêndio que aconteceu depois, a intenção dele era mantê-la como sua amante secreta para sempre.
Ela estava com ele, sem se importar com rótulos; só importava se ele a amava ou não.
Porém, o que ela recebeu no final foram suas palavras cruéis: 'Que nojo.'
Ela não passava de um brinquedo para ele.
Quando ela partiu, ele se casou em segredo com Adelina e teve um filho, e agora estava tentando encontrá-la de novo.
Era simplesmente patético!
Alba ficou agachada chorando em silêncio por um tempo. Quando se levantou, uma tontura quase a fez perder o equilíbrio.
Lavou o rosto mais uma vez, vestiu suas próprias roupas, dobrou o vestido branco cuidadosamente e o deixou sobre a pia do banheiro.
Ao sair, não viu Jefferson. Ela pegou a bolsa que havia deixado na sala e fugiu.
Ao passar pela porta, percebeu que a propriedade era colossal.
Parecia uma daquelas enormes propriedades antigas que aparecem na televisão.
Ela atravessou corredores avarandados, jardins, lagos com pedras decorativas e pontes de arco. Ficou zanzando por mais de dez minutos até finalmente encontrar o portão principal.
Ao sair, ficou completamente paralisada.
A mansão havia sido construída no meio de uma montanha.
Sob a luz amarelada dos postes, mal se podia ver uma grande árvore um pouco mais à frente.
E, depois dela, havia apenas uma estrada sinuosa que descia a serra, perdendo-se de vista.
Era impossível encontrar um táxi naquele lugar.
Ela olhou o celular; já passava da uma da manhã.
Uma lufada de vento da serra soprou, atravessando suas roupas e penetrando em sua pele com um frio cortante.
Alba estremeceu, encolheu-se dentro do casaco e abriu o aplicativo para chamar um carro.
No entanto, mesmo adicionando uma gorjeta extra, ela esperou um bom tempo e nenhum motorista aceitou a corrida.
A brasa do cigarro entre seus dedos brilhava intermitentemente. Através da fina fumaça dissipada pelo vento, o homem a observava em silêncio:
— Não seja teimosa. É perigoso voltar sozinha no meio da madrugada. Eu vou esperar até você entrar no carro de aplicativo para ir embora.
— ...
Sentindo o calor escaldante do casaco de caxemira penetrar em sua pele, Alba não conseguiu manter a obstinação.
Olhou para o celular e ainda não havia nenhum motorista.
Se continuasse esperando, provavelmente teria que aguardar até o amanhecer.
Além disso, ele havia lhe dado o casaco. Agora, ele vestia apenas um suéter preto e fino.
A noite fria na serra era muito mais gelada do que no centro da cidade.
Se ele ficasse exposto àquele vento gelado por mais tempo, com certeza pegaria um resfriado ou febre.
E, se isso acontecesse, ele teria mais um motivo para arrumar problemas com ela.
Ele era ditatorial. Se ela não entrasse, era capaz de ficar ali em pé até o sol nascer.
Alba mordeu o lábio com força, deu a volta nele e, caminhando para o outro lado, abriu a porta do carro e entrou, sentindo-se encurralada.

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