O ar-condicionado estava ligado dentro do carro. Havia uma divisória na frente, transformando o banco de trás em um espaço fechado e independente.
Mesmo com a luz do teto suficientemente clara, ela ainda sentia o coração acelerado e ficou encolhida no canto, colada à janela.
Jefferson franziu a testa ao notar que ela se sentara o mais longe possível, mantendo uma grande distância entre eles.
Percebendo o olhar dele, Alba apertou os dedos e se encolheu ainda mais contra a porta.
Quando o Rolls-Royce começou a se mover, Jefferson de repente estendeu a mão, agarrou o pulso fino dela e a puxou inteira para perto de si.
— Alba, por mais que você negue, a sensação familiar que você me traz... Você é a minha irmã Stella.
Com o puxão, Alba acabou colidindo contra o peito de Jefferson.
O corpo macio dela se apertou contra o peito largo e firme do homem, separados apenas pelo tecido de suas roupas.
Aninhada em seu abraço forte, ela ergueu o rosto delicado, parecendo um pêssego maduro pronto para ser colhido.
O olhar do homem escureceu enquanto a encarava, e seu pomo de adão subiu e desceu lentamente.
A atmosfera carregada de tensão fez com que ele se lembrasse do passado, das vezes em que ia buscá-la na Universidade do Brisamar e, no caminho de volta, a convencia a ajudá-lo de formas íntimas.
Pensar naquilo deixou sua garganta tão seca e áspera que mal conseguia falar.
Ele levou a mão à nuca dela. Queria beijá-la. Queria tanto que estava ficando louco.
O clima dentro do carro tornou-se extremamente íntimo de uma hora para a outra.
Alba estava em pânico.
O olhar ardente do homem, que parecia capaz de queimar a alma de qualquer um, fazia os ossos dela amolecerem.
Mesmo tentando não olhar diretamente, era impossível ignorar o calor cada vez mais intenso emanando do peito dele.
As memórias de como ela costumava tremer em seus braços dentro do carro invadiram sua mente de uma só vez.
Alba virou o rosto:
— Sr. Soares, eu realmente não sou a sua irmã Stella...
Parecia que não havia mais nada a dizer, exceto aquela negação que não carregava muita credibilidade.
— Stella, você está magoada comigo, e por isso se recusa a me reconhecer, não é?
Com um puxão forte, Jefferson a ergueu e a fez sentar em seu colo.
Uma das mãos envolveu a cintura dela, enquanto a outra segurou seu rosto com firmeza.
Aquela posição a fez sentir, de forma ainda mais clara, a temperatura corporal dele e sua força primitiva, separada apenas pelo tecido das roupas.
— Você acha que é um cachorro raivoso?
Como aquela mulher ousava mordê-lo?!
Nesse aspecto, ela não se parecia em nada com Stella.
A Stella sempre foi muito dócil...
Alba também não esperava que realmente fosse mordê-lo!
E ainda tirar sangue.
Seu coração estava aterrorizado.
Batia tão rápido que parecia prestes a pular para fora do peito.
Em pânico, ela se debateu freneticamente para sair do colo dele.
Logo em seguida, viu o homem curvar o corpo bruscamente, soltando um gemido ainda mais pesado e abafado do que o anterior.
Foi só então que Alba percebeu que havia feito outra besteira imperdoável em meio ao seu desespero.
Seus dedos se encolheram de nervosismo enquanto ela se apressava em voltar para o seu lugar, encolhendo-se contra a janela do carro.

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