Olhando para aquelas coisas à sua frente, o rosto de Alba ardeu. Ela virou o rosto, tomada pela vergonha, e alfinetou entre os dentes:
— Perdoe a minha ousadia, mas o Sr. Soares insiste em me confundir com a sua irmã Stella. Por acaso, o senhor mantinha esse tipo de relação com a sua própria irmã?
— Stella, não finja.
Os longos dedos de Jefferson apertaram o rosto delicado dela, forçando-a a olhar em seus olhos:
— Você é minha irmã e também minha...
Ao chegar nesse ponto, ele hesitou e não terminou a frase.
Alba deu um sorriso fraco e amargo:
— Sua o quê?
Como ele poderia dizer em voz alta?
Naquela época, ela era apenas sua amante escondida.
O único título público que ela tinha era o de sua irmã.
— O que exatamente a Stella representava para o senhor?
Ela perguntou, adotando o tom de uma mera espectadora.
A garganta de Jefferson se fechou.
Por um instante, o silêncio reinou.
É verdade... O que Stella realmente significava para ele?
Além do rótulo de irmã, ele nunca lhe dera uma identidade definida...
Ele só queria que ela ficasse ao seu lado, que nunca o abandonasse durante a vida inteira...
— A Stella era sua amante?
Alba disse as palavras por ele.
No segundo seguinte, a mão calejada do homem apertou violentamente o pescoço fino dela.
— Cale a boca! A Stella não era uma amante!
Sufocada de repente, Alba perdeu o fôlego e não conseguiu evitar uma tosse engasgada:
— Se o Sr. Soares realmente acreditasse que eu sou a sua irmã Stella, quando gritou comigo agora, não teria dito 'ela não era uma amante', mas sim 'você não era uma amante', não é mesmo?
Jefferson apertou os lábios finos:
— Eu só queria ter certeza...
— Sr. Soares!
Alba ficou verdadeiramente irritada. Ela o encarou com os olhos vermelhos:
— Fico muito feliz por não ser a sua irmã Stella. Se ela ainda estivesse viva, aposto que também não ficaria com um lunático como você, que brinca com a vida dos outros de forma tão leviana!
Após dizer isso, ela o empurrou, virou-se, pegou suas roupas na mesa de cabeceira e correu para o banheiro.
Olhando para o próprio reflexo no espelho, com o rosto banhado em lágrimas, ela jogou punhados de água fria no rosto.
Mas não conseguia impedir as lágrimas de continuarem a cair.
— Lunático!
Ela cerrou os dentes, agachou-se lentamente no chão, escondeu o rosto nos joelhos e soluçou baixinho, consumida por uma mistura de ressentimento e mágoa.
Ele não tinha mudado absolutamente nada. Continuava pensando apenas em si mesmo, sem nunca considerar os sentimentos dos outros.

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