Por ser muito alto, suas pernas pendiam para fora do braço do sofá.
Mesmo de olhos fechados, ele mantinha a testa franzida.
A aura intimidadora que afastava qualquer aproximação continuava ali.
Alba pisou o mais leve que pôde, pronta para voltar ao quarto, vestir suas próprias roupas e fugir.
Porém, ao dar o primeiro passo, seu pulso foi agarrado com firmeza por uma mão grande.
Alba virou a cabeça assustada.
O homem no sofá havia aberto os olhos em algum momento.
Havia um traço de exaustão em seu semblante, e ele a encarava com um olhar sombrio.
Alba baixou os olhos, e sua visão caiu exatamente sobre a pulseira de cordão vermelho com uma semente entalhada que ele usava no pulso.
As imagens dele a beijando à força no elevador invadiram sua mente, quadro a quadro.
Ela se soltou com raiva e vergonha:
— Sr. Soares, o senhor se aproveitou da minha vulnerabilidade e me desrespeitou no elevador. Isso foi inaceitável.
— Me aproveitei da sua vulnerabilidade?
Jefferson se levantou, inclinou o corpo e fixou os olhos no rosto avermelhado de raiva dela:
— Stella, se eu realmente quisesse me aproveitar de você, já teria feito isso até o fim enquanto você estava desmaiada.
Se não tivesse resolvido o problema com as próprias mãos há pouco, ele realmente não teria suportado e a teria possuído.
Mas deitar na mesma cama que ela tornava o controle impossível, e foi por isso que ele acabou dormindo na sala.
— Você...
Ao ouvir aquelas palavras dominadoras e explícitas, o rubor no rosto de Alba se espalhou até o pescoço. Ela negou veementemente:
— Sr. Soares, eu não sou a Stella.
Jefferson, porém, não acreditou. Ele levantou a mão, afagou os cabelos dela e, em seguida, a puxou para um abraço apertado:
— Stella, seis anos se passaram, por que você ficou tão desobediente...
— Eu não sou a Stella... Sr. Soares, o senhor confundiu a pessoa.
Alba o empurrou, com a respiração ofegante e descompassada.
Então, apontando para o vestido largo que mal parava em seus ombros, ela fingiu não saber de quem era a roupa:
— Este vestido não serve em mim. Vou tirá-lo e devolvê-lo agora mesmo. Já é tarde, preciso ir para casa.
Dito isso, correu de volta para o quarto.
Alba arregalou os olhos, chocada.
O guarda-roupa não estava apenas cheio das roupas que ela vestia nas quatro estações durante o tempo em que viveu com a Família Soares.
Havia também lingeries e meias-calças.
Assim como várias fantasias sensuais de diferentes estilos.
Até os elásticos e arcos de cabelo foram preservados.
Ela até viu, guardados em uma caixa... pequenos brinquedos íntimos.
Tudo aquilo tinha sido comprado por Jefferson.
Ele adorava experimentar coisas novas e excitantes.
Naquela época, ela era jovem, ingênua e inexperiente, e tudo o que sabia sobre aquilo tinha sido ensinado pacientemente por Jefferson.
A primeira vez que assistiu a um vídeo.
A primeira vez que conheceu todos aqueles pequenos acessórios.
A primeira vez que aprendeu a imitar os protagonistas para agradá-lo.
Todas as suas primeiras vezes foram guiadas e ensinadas na prática por ele...

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