Leôncio não esperava que ela admitisse sua identidade por conta própria.
Naquele momento, ele finalmente entendeu:
— Então você já sabia que eu tinha descoberto que você era Stella Jesus.
Depois de dizer isso, ele tirou um lenço do bolso e o estendeu para ela.
— Limpe o rosto.
— Obrigada.
Alba pegou o lenço. Depois de secar as lágrimas, Leôncio tirou o próprio paletó e o colocou sobre os ombros dela. Em seguida, abriu a marmita e a empurrou na direção dela:
— Você só vai ter forças para enfrentar qualquer coisa se estiver de estômago cheio, não acha?
Alba olhou para a comida quente e cheirosa na marmita, pegou um punhado com as mãos e começou a enfiá-lo na boca.
Leôncio estendeu a mão para impedi-la, mas parou no meio do gesto.
— Lembro que, no ensino médio, toda vez que você sofria bullying e ficava magoada, comia desse jeito, como se estivesse descontando tudo na comida. Não imaginei que, depois de tantos anos, esse trauma ainda estivesse aí dentro.
Alba engoliu a comida com dificuldade, mas não conseguiu se conter e colocou outro punhado na boca.
Até que se engasgou, ficando com o rosto vermelho. Leôncio então segurou a mão dela.
— Stella Jesus... esses seis anos devem ter sido muito difíceis para você...
Os cílios de Alba tremeram levemente, e ela soltou um soluço abafado:
— Foram difíceis, mas eu sobrevivi...
Dizendo isso, forçou um sorriso e perguntou:
— Leôncio, e você? Viveu bem todos esses anos?
Leôncio sorriu com suavidade:
— Fui levando.
Alba esboçou um meio sorriso:
— Já que me reconheceu desde o nosso primeiro encontro, por que nunca me expôs?
Leôncio respondeu:
— Você mudou de nome e de identidade justamente para se esconder do Jefferson. Por que eu acabaria com isso e ainda colocaria mais peso nas suas costas?
— Obrigada.
Ela sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Somos velhos conhecidos, não precisa ser tão formal comigo.
Alba ficou parada em silêncio por alguns segundos antes de olhar para Leôncio:
— Eu vou indo. A gente se fala depois.
Quando terminou de falar e se virou para sair, Leôncio a segurou pelo pulso.
— Stella Jesus, não importa qual seja a dificuldade, eu sempre vou te ajudar.
Alba sorriu com gentileza, disse “obrigada” e saiu.
Ao chegar ao escritório da presidência, Jefferson estava de pé diante da janela panorâmica, fumando.
Quando a viu entrar, ainda com um paletó masculino sobre os ombros, seu rosto, que já estava severo, escureceu instantaneamente.
Ele caminhou até ela, estendeu a mão e, com um gesto brusco, derrubou o casaco dos ombros dela no chão.
— Depois de toda a confusão que você armou desta vez, não tem nada a me dizer?
Alba ficou parada, com as mãos rentes às costuras da calça, e devolveu a pergunta:
— Se eu disser que não fui eu, o senhor vai acreditar?
Jefferson franziu o cenho. Encarou-a em silêncio por um longo tempo antes de dizer:
— A Patrícia bateu na sua filha, mas já foi punida e detida. Alba, não seja tão implacável. Há consequências com as quais você não vai conseguir arcar.

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