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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 182

Aquelas palavras deixavam claro que ele não acreditava nela nem um pouco.

Mas não importava. Mesmo que ela explicasse cem vezes, bastaria ele mandar investigar para descobrir que tinha sido Gabriela quem vazara a história para a imprensa.

Não. Ela não podia deixar Gabriela se envolver nisso.

Já que ele não acreditava nela, o melhor era assumir a culpa.

E, aproveitando a situação, faria com que ele a expulsasse do Grupo Soares num acesso de raiva.

— Sr. Soares, fui eu mesma quem fez isso. Vou assumir toda a responsabilidade pelo impacto causado. Vou pedir transferência de volta para o meu antigo escritório e nunca mais voltarei a incomodar o senhor.

Ao vê-la assumir a culpa de novo, e ainda por cima pedir para sair do Grupo Soares, o rosto do homem escureceu de forma aterrorizante.

— Dra. Aragão, o estrago que você causou ao Grupo Soares não seria compensado nem se a Capital & Compliance Advogados fosse vendida inteira. Você arruma confusão e acha que pode simplesmente ir embora?

Alba franziu a testa:

— Sr. Soares, o senhor não me chamou aqui justamente para me responsabilizar?

Jefferson foi até ela, segurou-a pela cintura com firmeza e, com um giro rápido, prensou-a contra a mesa de trabalho.

Seus lábios finos roçaram a orelha pálida dela, e sua voz soou fria e perigosa:

— Alba, recolha as garras. Quer aproveitar a oportunidade para sair do Grupo Soares? Nem sonhe. Vou deixar bem claro: você vai ficar presa a mim até o fim.

Alba ergueu os olhos para ele, cheios de mágoa.

— Sr. Soares, eu não consigo entender o senhor. Agora mesmo estava lá, todo preocupado com a sua esposa, e agora me diz esse tipo de coisa. O senhor não acha que é um completo cafajeste?

Jefferson já estava saturado daquilo.

Ele abaixou a cabeça e a beijou com fúria.

Alba não tinha forças para se defender; empurrá-lo ou bater nele era inútil.

Sem saída, acabou presa nos braços dele, sendo beijada à força.

Num momento de distração dele, conseguiu morder a ponta da língua dele.

O homem sentiu a dor e finalmente afrouxou o aperto.

A decoração e os móveis daquele quarto eram exatamente iguais aos de seis anos atrás.

O coelhinho de pelúcia que ficava em cima da cama ainda estava lá.

Aquele coelhinho foi um prêmio que Jefferson havia ganhado numa máquina de pegar pelúcias, numa das vezes em que a levou ao cinema.

Naquela época, Jefferson tinha acabado de entrar no Grupo Soares e trabalhava de forma incansável, muitas vezes dormindo no próprio escritório.

Às vezes, quando fazia hora extra à noite, ele ligava pedindo para Murilo ir buscá-la na faculdade para que ela lhe fizesse companhia na empresa.

Naquela mesma cama, ao longo de inúmeras noites, os dois haviam se enroscado em momentos de paixão.

Entre sussurros e carícias, ele lhe dizia as palavras mais constrangedoras e mais doces.

As bochechas de Alba esquentaram levemente. Ela foi até o guarda-roupa, abriu as portas e ficou estupefata mais uma vez.

Lá dentro, além de algumas roupas dele penduradas, também estavam as roupas que ela costumava usar.

Assim como no quarto do Bosque dos Ipês, ele havia recriado, nos mínimos detalhes, o exato lugar onde ela vivera seis anos antes.

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