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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 180

Ela conhecia perfeitamente a faceta cruel que Adelina escondia.

Ela tinha um temperamento explosivo e recorria à agressão física num piscar de olhos.

Como estavam na empresa, Alba não queria criar confusão. Além disso, sabia que, por mais que explicasse, Adelina não acreditaria.

— Sra. Soares, eu não fiz isso. Se a senhora não quer acreditar, não há nada que eu possa fazer.

Depois de dar sua última explicação, Alba desviou de Adelina e tentou sair.

Mas, ao chegar à porta, Adelina a puxou bruscamente pelo braço.

— Você faz uma maldade dessas e acha que uma desculpa esfarrapada vai resolver tudo?

Alba manteve a compostura:

— Sra. Soares, o que a senhora quer?

Adelina respondeu de imediato:

— Se quer que eu te deixe em paz, vai agora mesmo comigo até a delegacia retirar a queixa. Assim que soltarem minha tia, eu esqueço o que aconteceu.

Alba percebeu então que Adelina estava apenas usando a situação para forçá-la a retirar a denúncia.

— Retirar a queixa? Impossível.

O tom de Alba foi firme, sem espaço para negociação.

Adelina a fulminou com o olhar, furiosa:

— Muito bem! Já que você não quer facilitar, não me culpe por eu não ter pena de você.

— ...

Alba soltou uma risada fria.

Adelina não tinha mudado absolutamente nada em seis anos.

Por fora, a imagem de uma socialite doce e generosa; por dentro, egoísta e vingativa.

Qualquer um que a desagradasse sofreria sua retaliação.

Alba já tinha aprendido essa lição da pior forma, seis anos atrás.

Quando ela se desvencilhou do aperto e se virou para sair, Adelina agarrou seu pulso de novo, querendo continuar a discussão.

Irritada, Alba a empurrou com força para se soltar.

Talvez pela força excessiva, Adelina perdeu o equilíbrio e caiu para trás no chão.

A cabeça bateu em cheio na quina da mesa.

Adelina soltou um grito de dor.

Ao levar a mão à testa e ver os dedos manchados de sangue, soltou um grito de pânico.

Mas, se ele valorizava tanto a própria esposa, por que foi se envolver com ela?

Provavelmente, assim como seis anos antes, ela não passava de um novo brinquedinho para ele.

Ao pensar nisso, um sorriso amargo e triste escapou de seus lábios.

Por fim, ela se debruçou sobre a mesa e riu até as lágrimas caírem.

Não sabia quanto tempo tinha ficado ali sentada, inerte, mas, em algum momento, a porta da copa foi aberta de novo.

Ela nem percebeu.

Até que uma marmita rosa foi colocada bem à sua frente.

— Come alguma coisa.

Quando a voz suave e reconfortante do homem soou acima dela, Alba levantou a cabeça.

Era Leôncio.

Talvez pela mágoa acumulada no coração, ou talvez por ver justamente a pessoa que a iluminara nos momentos mais sombrios surgir quando ela se sentia tão sozinha e destruída, toda a dor de Alba transbordou de uma vez.

Ela não quis mais fingir. Olhando para Leôncio, deu um sorriso cheio de amargura:

— Leôncio, a minha versão de seis anos atrás e a de hoje... continuam sendo igualmente covardes, não acha?

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