Matheus suspirou:
— Por mais que ela se pareça com a Stella, continua sendo a Alba. Forçá-la a ficar com você só vai acabar machucando os dois.
Jefferson massageou as têmporas com a mão que segurava o cigarro, tentando aliviar uma dor latejante, e sua voz soou um pouco rouca:
— Eu nunca vou deixá-la desamparada.
Matheus percebeu que as enxaquecas frequentes de Jefferson tinham atacado de novo. Ajudou-o a se sentar na sala do clube e fez uma pergunta séria:
— Jefferson, você chegou a amar a Stella?
...
Jefferson ficou paralisado por um instante.
Ele nunca tinha parado para refletir se a amava ou não.
No mundo dele, amor era algo vago e ilusório.
A mãe dele tinha amado muito o pai. E o que conseguiu no fim? O pai os abandonou sem piedade para ficar com outra mulher.
Todo o amor da mãe se resumiu a uma espera interminável e a muito sofrimento.
Por isso, a visão que ele tinha sobre relacionamentos se limitava a “quero” ou “não quero”.
Assim como seis anos antes, ele apenas queria que Stella ficasse docilmente ao seu lado.
Nunca tinha se perguntado se a amava. Na verdade, achava esse tipo de questão inútil.
— Eu... não sei. — respondeu, após um longo silêncio.
Matheus ficou surpreso com a resposta.
Do ponto de vista dele, Jefferson mimava muito Stella e parecia obcecado por ela.
Mas, ainda assim, nunca assumiu nada. Nem mesmo entre os amigos de infância ele a apresentou como namorada.
O único título que lhe dava era o de “irmãzinha”.
Matheus sentia que Jefferson era muito desconectado das próprias emoções. Chegava a parecer emocionalmente bloqueado.
— E você ama a Alba? — Matheus fez outra pergunta.
Jefferson hesitou um pouco antes de responder:
— Não amo.
Matheus abriu um sorriso provocador:
— Não deixe aquele idiota beber até morrer. Eu já vou indo. — Depois disso, levantou-se e foi embora.
Quando Matheus voltou para a área reservada, encontrou Miguel completamente bêbado, infernizando alguém pelo telefone.
— Alô? Alba... fala alguma coisa!
— Eu, Miguel, nunca perdi um caso na vida... e fui cair logo nas suas mãos! Alba, eu estou com muita raiva de você!
— Você está me ouvindo? Tem coragem de sair comigo?
— Alba? Dra. Aragão! Pode esperar, eu estou indo aí te encontrar agora...
Depois de gritar feito um louco ao telefone, Miguel tentou se levantar cambaleando e seguir para a saída.
Matheus, revirando os olhos, o puxou de volta pelo braço:
— Vocês são todos um bando de malucos.
...
No apartamento alugado.
Alba olhou para o nome na tela do celular e recusou a chamada na mesma hora.

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