— Fazer vocês dois engolirem o orgulho não é para qualquer um. Agora fiquei curioso para saber o que aconteceu.
Matheus disse, demonstrando grande interesse.
Miguel tornou a encher o próprio copo e, depois de um bom gole, contou toda a história em detalhes, do começo ao fim.
Ao ouvir tudo, Matheus, que normalmente era calmo e reservado, não conseguiu segurar a risada:
— Miguel, foi você quem subestimou a Alba. Não trate ela com a mesma mentalidade com que tratava aquelas mulheres do seu passado. Não se esqueça de que ela é advogada; a cabeça dela é afiada.
— Eu realmente não imaginava que a Alba fosse tão esperta. Ela previu exatamente a minha jogada e se preparou com antecedência.
Miguel foi ficando cada vez mais indignado conforme falava:
— Você olha para ela e vê uma coelhinha indefesa, o tipo de pessoa fácil de intimidar, e de repente ela se mostra mais implacável do que eu.
— Da primeira vez que a vi, ela estava com aquela carinha frágil de quem tinha sido humilhada por mim. Mas, pelas costas, não só passou a perna no Jefferson, como quase mandou o Fabiano para a cadeia. Se ela tivesse ganho aquele caso da moça surda, o moleque pegaria pelo menos um ano de prisão, fácil!
Enquanto Miguel continuava tagarelando sem parar, Matheus degustava a bebida, percebendo com um olhar significativo o brilho que surgia nos olhos do amigo ao falar de Alba. Pelo canto do olho, observou o silêncio gelado de Jefferson e, com a ponta do sapato impecavelmente limpo, deu um leve chute em Miguel:
— Do jeito que você fala, até parece que está elogiando a Alba.
— Hã... eu estou?
Miguel coçou a testa, meio atordoado.
Matheus sorriu de forma enigmática:
— Você não está com raiva. Está claramente admirado por ela.
Miguel engasgou com a bebida ao ouvir aquilo. Tossiu várias vezes e, com o rosto vermelho, resmungou:
— Eu estou com um ódio mortal dela agora. Como eu poderia... admirar essa mulher?
Mas a voz foi perdendo força no fim da frase.
Matheus olhou mais uma vez para Jefferson.
O homem, que até então parecia inabalável, exibia agora uma expressão sombria, e seus olhos insondáveis estavam ainda mais escuros.
— Eu só não quero ver dois amigos se desentendendo por causa de uma mulher, como aconteceu no passado, quando a Adelina ficou entre você e o Miguel.
Na época da faculdade, embora Adelina e Jefferson nunca tivessem oficializado um namoro, todo mundo os via como um casal.
Só Miguel se recusava a aceitar isso e corria loucamente atrás dela, formando um triângulo amoroso. No fim, Adelina escolheu Jefferson. Miguel ficou arrasado e, desde então, perdeu o controle, passando a se cercar de uma mulher diferente a cada dia...
— Tanto antes quanto agora, eu nunca prendi a Adelina. Ela sempre foi livre para fazer as próprias escolhas.
Jefferson respondeu friamente, encostado displicentemente na parede, erguendo o pescoço e soprando um anel de fumaça.
Matheus retrucou, sem se convencer:
— E quanto à Alba?
O movimento de fumar do homem parou por um instante. Depois de dois segundos de silêncio, ele abriu os lábios finos:
— Eu quero mantê-la ao meu lado, como uma segunda Stella.

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