— Está bem...
Adelina hesitou um pouco antes de entrar no quarto do hospital.
Como Jefferson não tinha recusado de forma explícita, provavelmente não abandonaria a tia dela.
Miguel observou Adelina entrar no quarto. Então, virou-se e perguntou a Jefferson:
— Adelina estava desesperada por causa do caso da tia. Você conseguiria resolver isso movendo alguns pauzinhos, então por que não se posicionou agora há pouco?
Jefferson encostou-se casualmente na parede, com as mãos nos bolsos.
— Usar um canhão para matar uma mosca só faria o problema crescer ainda mais.
— Como assim?
— Não se esqueça de que Alba é advogada. Ela sabe melhor do que ninguém como usar a lei. Mesmo que usássemos nossa influência para abafar esse caso, lembre-se de como os herdeiros das famílias Mendonça e Barreto acabaram na prisão.
Miguel questionou:
— Você ainda suspeita que o caso que colocou aqueles dois na cadeia foi manipulado pela Alba nos bastidores?
— Não suspeito. Tenho certeza.
— Mas ela não é a “Deusa da Justiça”.
Jefferson pegou o celular, abriu uma foto e mostrou a Miguel.
— No exato momento em que a “Deusa da Justiça” fez aquela publicação no X, Alba apareceu em uma lan house. Pedi a um técnico que recuperasse os rastros de uso daquela máquina. Alba acessou o X por lá. Isso não basta para explicar tudo?
— Caramba!
Miguel soltou uma exclamação de surpresa.
— Ela é mesmo a “Deusa da Justiça”? E eu aqui, sendo fã dela no X... Jamais imaginei que a verdadeira “Deusa da Justiça” fosse a Alba.
Miguel estava completamente chocado.
Seus olhos brilharam de admiração.
No círculo deles, a “Deusa da Justiça” era uma figura misteriosa, um justiceiro oculto que não temia os poderosos e defendia o certo.
Todos presumiam que fosse um homem implacável.
Jamais imaginaram que fosse uma mulher.
E, ainda por cima, justamente Alba, a quem ele mesmo já tinha provocado e ofendido.
Miguel balançou a cabeça, soltando uma risada incrédula.
— Então esse caso não pode virar escândalo. A única esperança é torcer para que Alba aceite um acordo.
Jefferson assentiu.
Jefferson tinha um braço apoiado na janela e, entre os dedos longos, segurava um cigarro pela metade. Suas feições frias e profundas não demonstravam emoção alguma, e a voz saiu monótona.
— Entre no carro.
O rosto de Alba demonstrou desagrado.
— Sr. Soares, não estamos no horário de trabalho. Não temos nada para conversar.
— Sendo assim, você não me deixa escolha.
— ...
Sob o olhar atônito de Alba, Jefferson abriu a porta, desceu e a pegou no colo de repente.
— Sr. Soares, se comporte, por favor.
Alba o encarou em pânico.
Jefferson baixou os olhos e fixou-os no rosto claro da mulher.
— Não era você que queria ter um relacionamento comigo? Então por que está fingindo resistência agora?
Envergonhada e irritada, Alba empurrou os ombros dele.
— Quem... quem disse que eu quero ter um relacionamento com você?

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