O homem deu uma risada fria.
— Se você não quer admitir, tudo bem. Mas eu não vim te procurar por causa disso.
Dito isso, colocou-a no carro.
Alba não teve tempo de se importar com essa história de relacionamento. Sua primeira reação foi tentar sair do veículo.
No entanto, assim que agarrou a maçaneta, percebeu que a porta estava travada.
Logo em seguida, o carro arrancou.
Ela não teve escolha a não ser desistir.
Encostou-se na janela, franzindo a testa enquanto encarava Jefferson.
— Sr. Soares, o que o senhor quer dizer com isso?
Ao ver o rostinho dela avermelhado de raiva, parecendo uma criança emburrada, Jefferson não conseguiu evitar a vontade de estender a mão e afagar o topo da cabeça dela.
— Alba, eu não vim brigar com você.
Com uma expressão fria, Alba afastou a mão dele.
— Veio me procurar por causa da tia da sua esposa, a Patrícia?
O olhar de Jefferson ficou fixo.
— Como você sabe que ela é tia da Adelina? E como sabe o nome dela?
Alba congelou por um instante.
Teve vontade de dar um tapa na própria boca.
Ficou tão transtornada de raiva que acabou falando demais.
Mas logo encontrou uma justificativa.
— Ela deu um tapa na minha filha. É óbvio que eu precisava perguntar aos policiais quem ela era e qual era o nome dela, não acha?
Ao ouvir isso, Jefferson não suspeitou de mais nada.
— O que você pretende fazer em relação a esse caso?
Alba o encarou em silêncio.
— Sr. Soares, está me perguntando isso como parente da Patrícia?
— Faz diferença?
Ele retrucou.
Alba curvou levemente os lábios.
— Então o senhor também pretende interferir nesse caso?
O homem refletiu por dois segundos e respondeu com um breve “sim”.
Alba cerrou os dentes discretamente e foi direta:
— Eu não aceito conciliação. Vou seguir pelos trâmites legais.
— E quanto a... uma indenização?
— Não aceito.
A recusa dela foi categórica, sem deixar qualquer margem.
Jefferson pressionou os lábios.
— Você está indo para a delegacia?
— Sim.
— Então vamos juntos.
Alba mordeu o canto dos lábios.
— Tudo bem. A polícia já conseguiu as imagens das câmeras de segurança. Vai ser uma ótima oportunidade para assistirmos juntos e descobrirmos como a minha filha empurrou a sua.
Depois disso, acrescentou:
— Claro, se ficar provado que a minha filha derrubou a sua, eu peço desculpas e pago as despesas médicas.
Ao perceber que ela estava irredutível e não deixava espaço para sentimentalismo, Jefferson soltou uma risada baixa, sem dizer nada.
Mais de meia hora depois, os dois chegaram à delegacia.
No entanto, assim que desceram do carro, deram de cara com Miguel.
— Alba!
Miguel acenou para ela com um sorriso provocador e, ao mesmo tempo, lançou um olhar para o pulso claro e vazio dela.
— Tsc, tsc... por que não está usando a pulseira que eu te dei?
Jefferson baixou o olhar, a expressão pesou, e ele encarou Alba.
— Você não aceitou nada do que eu te dei, mas aceitou a pulseira dele?

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