Ela colocou a filha no chão e pegou o celular. Havia uma mensagem de Gabriela Carvalho no WhatsApp:
[Alba, não se preocupe, os meninos estão comigo.]
Alba Aragão soltou um suspiro de alívio.
Ela não fazia ideia de como Gabriela também tinha ido parar no shopping, mas saber que Talles e Demian estavam com ela já bastava para tranquilizá-la.
Pensando melhor, provavelmente tinha sido Gabriela quem chamou a polícia.
— Papai, me pega no colo...
Naquele momento, Bruna Soares, que estava nos braços de Adelina Botelho, começou a choramingar pedindo colo.
Jefferson Soares desviou o olhar, pegou a filha dos braços de Adelina e começou a caminhar em direção à saída do shopping.
Alba observou a família de três se afastar junta. Ao abaixar a cabeça e ver o rostinho vermelho e inchado da própria filha, sentiu uma pontada aguda no peito.
Ela respirou fundo, recompôs as emoções e falou com calma:
— Policial, eu quero registrar um boletim de ocorrência agora mesmo. Minha filha foi agredida. Além das imagens das câmeras de segurança, muitos pais que estavam no local presenciaram tudo. Algumas pessoas até tiraram fotos e gravaram vídeos. O senhor pode começar a recolher as provas imediatamente.
— Senhora, mantenha a calma. Nós vamos apurar tudo direitinho.
Depois disso, o policial colheu um depoimento breve de Alba, pediu que ela preenchesse um formulário e saiu para solicitar as imagens das câmeras de segurança.
Alba saiu do shopping com Elara Aragão e pegou um táxi direto para o hospital.
No banco de trás, Elara se encolheu nos braços da mãe. Com os olhos marejados, soluçou:
— Mamãe, eu não gosto mais daquele moço bonito... Ele empurrou você. Ele é um moço mau...
— Tudo bem, nós não gostamos dele...
Com o coração em pedaços, Alba abraçou a filha com mais força e estendeu a mão para acariciar suavemente o rostinho dela.
— Ainda está doendo?
Elara fez um biquinho triste, e as lágrimas voltaram a rolar pelo rosto.
— Está...
O coração de Alba se apertou dolorosamente. Ela enxugou as lágrimas da menina com todo o cuidado.
— Meu amor, nós estamos indo para o hospital. O médico vai passar uma pomadinha e logo a dor vai passar, está bem?
— Está bem...
Com as mãozinhas macias, Elara limpou uma lágrima que tinha escapado do canto do olho da mãe.
— Não se preocupe, mamãe. Só dói um pouquinho...
Passaram boa parte da tarde na correria, e ainda faltavam alguns procedimentos.
Elara reclamou que estava com um pouco de fome.
Alba comprou um lanche e um suco na lanchonete para a filha forrar o estômago.
Ela mesma, porém, não conseguiu dar uma única mordida; o estômago estava completamente embrulhado.
Quando a filha terminou de comer, Alba a levou para concluir os exames que faltavam.
O último da lista era uma tomografia.
O painel eletrônico indicava que ainda havia duas pessoas na frente delas.
Naquele momento, a sala de espera do setor de tomografia estava lotada.
Alba segurou a mão da filha, preparando-se para procurar um lugar no corredor ao lado, mas, para sua total surpresa, deu de cara com Jefferson na passagem.
Ele segurava um envelope com exames de imagem, provavelmente o resultado da tomografia da filha.
Ao ver Alba, seu rosto permaneceu inexpressivo. O olhar dele apenas passou calmamente por Elara, que estava de mãos dadas com a mãe.
Ao notar que o rostinho da menina ainda estava vermelho e inchado, ele abriu a boca para dizer algo, mas Elara deu um pulo de susto e se escondeu rapidamente atrás de Alba.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais