— O senhor Smith não está — o homem responde.
— É urgente, por favor ligue para ele e avise.
Enquanto fala, Charlotte ajusta a postura, tentando manter a calma apesar da crescente ansiedade. O recepcionista do outro lado do balcão a observava com uma mistura de simpatia e cautela.
— Senhora, entendo que tenha algo importante para falar com o senhor Smith, mas ele está passando por um momento delicado — diz o homem com a voz baixa e respeitosa. — Ele não aparece na empresa desde o acidente da filha. Além disso, hoje foi realizada a cerimônia fúnebre, e ele está bastante abalado.
Charlotte sente um aperto no coração ao ouvir isso, pois se lembra de ter encontrado Ethan pessoalmente e teve a oportunidade de falar toda a verdade para ele naquele momento. No entanto, estava com tanto medo do que poderia acontecer com o seu filho que decidiu ficar em silêncio.
— Além disso — o recepcionista continua. — Ele viajou para o Brasil com a família e não temos previsão de quando retornará — continua o recepcionista. — Ele deixou instruções claras de que não quer ser incomodado por ninguém, não importa quem seja.
— Entendo a situação, e sei muito bem o que ele está passando, mas preciso vê-lo, é extremamente importante que eu fale com o Ethan — insiste Charlotte. — Tenho uma informação muito importante, entende? Você poderia me dar algum contato dele no Brasil, ou talvez um meio de alcançá-lo indiretamente?
O recepcionista hesita um pouco por ver como ela parece estar carregando uma informação importante, no entanto, sabe que a política da empresa é rigorosa.
— Vou verificar o que posso fazer, senhora — diz ele, finalmente. — Por favor, aguarde um momento.
Enquanto o recepcionista se afasta para fazer algumas ligações, Charlotte se senta em uma das cadeiras do lobby. Sua mente corre com possíveis cenários. Ela tinha consciência de que, a partir do momento que Ethan descobrisse que Ava ainda estava viva, ele retornaria ao país imediatamente e faria tudo ao seu alcance para protegê-la, mesmo que isso significasse mobilizar recursos extraordinários. Essa possibilidade a deixava apreensiva, especialmente pela segurança de Mark, que poderia acabar envolvido no conflito. No entanto, ela se agarrava às palavras de Ava e à promessa que ela havia feito, confiando que, no final, tudo se resolveria.
Após alguns minutos tensos, o recepcionista retorna com uma expressão frustrada no rosto.
— Sinto muito, senhora, mas não posso passar nenhuma informação pessoal em relação ao senhor Smith, já que ele deixou expressamente claro que não quer ser incomodado por ninguém.
Angustiada, Charlotte pensa em alguma alternativa. Sabia que precisava conversar com ele pessoalmente, já que contar sobre aquele assunto para a polícia estava fora de questão, por medo do que aconteceria com Mark.
— Pelo amor de Deus — ela implora, se inclinando sobre o balcão. — Preciso conversar com algum familiar da Ava.
A expressão do recepcionista é de pena, por sentir o quanto ela parecia angustiada.
— Por que a senhora não entra em contato com o noivo dela? — ele pergunta, pensando numa alternativa que pudesse lhe ajudar. — O senhor James Clivan está no país, quem sabe ele pode ajudá-la.
— E onde posso encontrar esse homem? — pergunta, ansiosa.
— Também não posso passar essa informação.
Sentindo o suor cair pela testa, Charlotte sente a frustração crescer. Seus olhos vagam pelo lobby, buscando alguma solução alternativa enquanto ela lida com a resposta insatisfatória.

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