Charlotte solta uma risada diante da sugestão de Ava.
— Apaixonada? Como você pode pensar isso se ela tem idade suficiente para ser mãe dele? — pergunta aquilo como se acabasse de ouvir o maior absurdo de sua vida.
No entanto, ao perceber que Ava continua séria, o sorriso de Charlotte desaparece e as duas trocam olhares cúmplices, compartilhando um silêncio que dizia mais do que palavras poderiam expressar. Ambas estavam pensando o mesmo.
— Você acha que ela poderia ser…? — Charlotte para de falar, ainda surpresa com a possibilidade.
— Não tenho certeza, mas às vezes, quando olho para Doris, percebo certas semelhanças com o Hector, — Ava confidencia, com a voz baixa.
— Isso pode ser apenas algo da sua imaginação.
— Até poderia, se não fosse o fato dela ser tão leal a ele.
— Mas se isso for verdade. Por que ela esconde essa informação? — Charlotte questiona intrigada.
— Alguma coisa deve ter acontecido no passado que a fez tomar essa decisão — Ava comenta.
— Acho que isso explica o que a Doris me disse mais cedo.
— O que ela disse?
— A Doris me contou que era assistente do pai de Hector e que, depois que ele nasceu, se tornou a sua babá, mas… Você não acha estranho uma mulher que trabalhava como assistente mudar para o cargo de babá?
— É um pouco estranho mesmo… no entanto, eu não me interesso por esse assunto, a única coisa que quero nesse momento é sair daqui.
— Você sairá, minha querida, eu só te peço um pouco de paciência. Vou procurar o seu pai e direi toda a verdade pessoalmente. Eu não quero envolver a polícia nisso, você sabe.
Mesmo ansiosa, Ava sabe que terá que esperar por Charlotte, já que ela era a única pessoa com quem podia contar naquele lugar.
— Tudo bem.
Com medo de estarem sendo vigiadas, as duas não demoram muito ali no jardim e decidem voltar para o quarto.
Como Ava não precisaria de medicação durante a noite, Charlotte decide ir embora mais cedo.
— Já está indo para casa? — Mark indaga ao ver sua mãe pegando sua bolsa.
— Sim, querido, vou chamar um táxi — ela responde, fechando o zíper da bolsa.
— O que houve com o seu carro?
— Está na oficina.
— Quer uma carona? — oferece Mark.
Inicialmente, ela pensa em recusar, mas logo percebe que poderia ser uma chance de extrair alguma informação de seu filho.
— Seria ótimo, obrigada — ela diz, sorrindo.
— Ok, vou só me despedir do Hector e já volto. Me espere no carro — ele diz antes de desaparecer de vista.
Seguindo a sugestão do filho, Charlotte deixa a mansão e caminha em direção à garagem. Enquanto espera, seus olhos vagueiam pelos vários veículos de luxo na coleção de Hector, refletindo o quanto ele gostava de ostentar sua riqueza e poder.
— Demorei? — Mark pergunta ao chegar na garagem.
— Imagina — ela responde com um sorriso.
Eles entram no carro e, enquanto se aproximam do portão guardado por seguranças armados, Charlotte lança uma pergunta ao filho.
— Hector parece ter tudo, não é?
— Sim, ele tem bastante coisa — concorda Mark.
— E o que mais ele poderia querer da vida?
— Bem, quando um homem acumula riqueza, o próximo passo é buscar mais poder.
— E ele não tem poder suficiente?

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