Rafael parou na porta, olhando para Isadora em completo pânico e desespero. Cerrou os punhos, o rosto tenso e escuro, carregado de dor.
Naquela época, bastara um momento de indecisão. Ele nunca imaginou que, assim que partisse, a mulher que amava passaria por algo tão cruel.
Se soubesse tudo o que ela enfrentaria depois, jamais teria ido embora. Mesmo ficando no país, ele certamente encontraria seu caminho.
Mas, o arrependimento nunca muda o que passou.
Ao pensar nisso, a expressão de Rafael mudou novamente. Pegou o celular e, pessoalmente, fez os arranjos com a funerária, cuidando de todos os detalhes para a despedida da pequena Aline.
Após ter alta, Isadora foi diretamente para a funerária. Quis organizar o funeral para a filha. Mas, ao entrar na sala e ver os brinquedos de papel cuidadosamente arrumados, ela ficou paralisada.
Ela perguntou, sem acreditar no que via:
— O que é tudo isso?
Ao lado dela, Rafael explicou, com a voz gentil:
— Sabia que a Aline adorava rosa, então preparei isso. Achei que assim ela não sentiria tanto medo.
Antes de ter alta, Isadora havia mandado uma mensagem para Olavo, esperando que ele ao menos aparecesse para ver a filha pela última vez. Mas o dia virou noite, e mesmo depois de encerrado o funeral, ele não apareceu.
Diante da foto da filha, Isadora sentiu o peito afundar, como se algo a puxasse para um buraco sem fim.
— Me perdoa, Aline... Na próxima vida, escolha com mais cuidado. Não aceite um pai assim, por favor...
— Vou continuar vivendo, eu prometo. Vá em paz, minha pequena, vá tranquila...
Ela não conseguiu mais segurar. Caiu de joelhos no chão, o corpo tremendo de tanto chorar.
Depois de hoje, sua filha realmente não estará mais neste mundo.

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