Rafael nunca imaginou que uma simples viagem de especialização lhe custaria tanto.
Quando soube que Isadora havia se casado e tido uma filha, ele se afundou em festas, tentando esquecer. Achava que, na época, era só uma paixão não correspondida, mas agora, ao ouvir melhor, parecia que havia algo mais por trás disso.
Ele passou a mão na cabeça dela com carinho, com uma voz suave:
— Deixa para lá. Você está exausta. Vai para casa, descansa uns dias. Quando estiver melhor, vem falar comigo. Eu a levo para começar na empresa.
Vendo aquele gesto, Isadora sentiu algo acender no peito, era uma esperança quase esquecida. Mas logo essa chama se apagou. Ela sabia que não podia se iludir. Limitou-se a forçar um sorriso e entrou no seu pequeno apartamento.
Sentada no sofá, Isadora sorriu suavemente. Ela sempre foi alguém desse mundo simples, alguém que não pertencia ao mesmo mundo de Olavo, e muito menos ao de Rafael.
Acabou se casando com Olavo. Teve Aline, e num piscar de olhos, perdeu tudo.
Parecia um sonho estranho, fora do tempo. Agora, estava de volta ao ponto de partida. Só que, dessa vez, sozinha.
Com o coração apertado, pegou a foto restaurada da filha e colocou ao lado dos retratos dos pais, que já se foram. Na foto, Aline sorria como sempre, radiante. Mas a vida dela já tinha acabado.
Isadora só queria descansar um pouco, mas alguém bateu na porta.
Incomodada, ela foi atender. Mas deu de cara com a última pessoa que queria ver na vida.

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